sexta-feira, 30 de abril de 2010

O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO–4

Bronze e borracha na Copa de 1938

Foi a primeira grande participação brasileira numa Copa do Mundo. O time ficou em terceiro lugar, mostrando ao mundo a categoria do “Homem Borracha”, o atacante Leônidas da Silva (foto/E), também chamado de “Diamante Negro”, principal goleador do certame promovido pelos franceses, com oito gols.
  Daquela vez, o Brasil foi o único representante sul-americano. Argentinos e uruguaios, simplesmente, não se interessaram em atravessar o Atlântico. Os primeiros até chegaram a se inscreverem, tardiamente. Depois, desistiram. Já os orgulhosos ingleses, como sempre, não se inscreveram. Adulados, pelos organizadores, disseram que, possivelmente, iriam. Mais tarde, informaram que pensariam melhor. E terminaram não indo, preferindo se dedicarem às suas competições domésticas – outra seleção européia que não participou, mesmo classificada, em eliminatórias, foi a da Áustria, porque, em 12 de abril daquele 1938, o país ficara sem representações política e esportiva, devido a sua anexação, pelos alemães
   Alemanha, Bélgica, Brasil, Cuba, Holanda, Hungria, Índias Holandesas (Curaçao), Noruega, Polônia, Romênia, Suécia e Suíça, França (promotora) e Itália (último campeão), foram os participantes da Copa-38. A abertura, em 4 de junho, teve alemães e suíços ficando no 1 x 1, no estádio de Colombes, em Paris. Como os jogos das oitavas prosseguiam eliminatórios, os empates geraram jogos extras com placares inesperados, casos de Suíça 4 x 2 Alemanha e de Cuba 2 x 1 Romênia.
 Quase todos os compromissos das oitavas foram dificílimos. A Itália (foto), por exemplo, só despachou a Noruega, por 2 x 1, na prorrogação – nas quartas, tirou a França, com 3 x 1, em Colombes. Pelos mesmos apertos passados pelos italianos, na primeira fase, passaram os tchecos-eslovacos, que mandaram 3 x 0 nos holandeses, no tempo extra. Moleza só quem teve foi o time sueco, classificado às quartas, devido a ausência dos austríacos. Na fase seguinte, sapecou 8 x 0 nos cubanos. Enquanto isso, sem ajudas, e contando com a categoria do centroavante Sarosi, a Hungria foi impiedosa. Durante a sua rota rumo à final mandou 6 x 0 sobre Curaçao, 2 x 0 frente à Suíça e 5 x 1 em cima da Suécia, nas semifinais.
BRASILEIROS – A nossa equipe, também, precisou de minutos suplementares para eliminar adversários. Em 5 de junho, 6 x 5, sobre os poloneses, nas oitavas. Em 12 de junho, em Bordeaux, mais dureza: 1 x 1, com a Tcheco-Eslováquia. E não teve prorrogação que desse jeito no placar. Dois dias depois, os dois times já estavam em campo, novamente. Domingos da Guia e Romeu brilharam e os brasileiros venceram, por 2 x 1, chegando às semifinais, para encarar os italianos.

Diante da “Azurra” (foto), o Brasil sofreu o primeiro gol, marcado por Colausi, aos 10 minutos do primeiro tempo. O time era elogiado pela sua habilidade e plasticidade, mas criticado pela pouca agressividade, apresentada quando não deveria. Num lance sem bola na área, Domingos agrediu Meazza. O árbitro suíço Hans Wüttrich viu e assinalou pênalti. Meazza cobrou e fez 2 x 0. Romeu ainda marcou um gol brasileiro, mas a Itália foi para a final, contra os húngaros, que haviam marcado 13 e sofrido apenas um gol, até então. E sagraram-se bicampeões mundiais, com a vitória, por 4 x 2. Ao Brasil, restou vencer a Suécia, 4 x 2, e voltar com a terceira colocação.
FORMAÇÕES – Em 5 de junho, no Estádio de La Meinau, em Estrasburgo, sob as vistas de 13.882 pessoas e com arbitragem do sueco Ivan Eklind, nos 6 x 5 na Polônia, o time foi: Batatais, Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio, Martim Silveira e Afonsinho; Lopes, Romeu, Leônidas da Silva, Perácio e Hércules. Os gols foram de: Leônidas, aos 18; Romeu, aos 25, e Perácio, aos 44 minutos do primeiro tempo; Perácio, aos 27 da segunda etapa, e Leônidas, aos 3 e aos 12 minutos da prorrogação.
Em 12 de junho, no 1 x 1, com a Tcheco-Eslováquia, no Estádio Municipal de Bordeaux, com 14 mil presentes e arbitragem do húngaro Paul Hertzka, a seleção alinhou: Wálter, Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio, Martim Silveira e Afonsinho; Lopes, Romeu, Leônidas da Silva, Perácio e Hércules. O gol foi marcado por Leônidas, aos 30 minutos do primeiro tempo.
Em 14 de junho, no desempate, 2 x 1, sobre a mesma Tcheco-Elováquia, de virada, novamente em Bordeaux, com arbitragem do francês Georges Capdeville e público de 15 mil presentes, esta foi a escalação: Walter, Jaú e Nariz; Brito, Brandão e Argemiro; Roberto, Luisinho, Leônidas da Silva, Tim e Patesko. Goledores: Leônidas, aos 11, e Roberto, aos 18 minutos do segundo tempo.
Em 16 de junho, contra a Itália, assistida por 35 mil espectadores, no Estádio Velodrome, em Marselha, com arbitragem do suíço Hans Wütrich, a equipe foi: Walter, Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio, Martim Silveira e Afonsinho; Lopes, Luisinho, Romeu, Perácio e Patesko. O gol foi de Romeu, aos 42 minutos do segundo tempo.
Em 19 de junho, no 4 x 2 que valeu o terceiro lugar, contra a Suécia, novamente, em Bordeaux, com 15 assistentes e arbitragem do belga John Langenus, a despedida da Copa de 38 foi com: Walter, Domingos da Guia (foto) e Machado; Zezé Procópio, Martim Silveira e Afonsinho; Roberto, Romeu, Leônidas, Perácio e Patesko. Gols marcados por: Romeu, ao 43 minutos do primeiro tempo; Leônidas, aos 18 e aos 28, e Perácio, aos 35 da etapa complementar.
TODOS OS RESULTADOS - Suíça 1 x 1 Alemanha; Cuba 3 x 3 Romênia; Tcheco-Eslováquia 3 x 0 Holanda; França 3 x 1 Bélgica; Hungria 6 x 0 Antilhas Holandesas; Brasil 6 x 5 Polônia; Itália 2 x 1 Noruega; Suíça 4 x 2 Alemanha; Cuba 2 x 1 Romênia; Itália 3 x 1 França; Suécia 8 x 0 Cuba; Hungria 2 x 0 Suiça; Brasil 1 x 1 Tcheco-Eslováquia; Brasil 2 x 1 Tcheco-Eslováquia; Hungria 5 x 1 Suécia; Itália 2 x 1 Brasil; Brasil 4 x 2 Suécia e Itália 4 x 2 Hungria. CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 – Itália (foto); 2 – Hungria; 3 – BRASIL; 4 – Suécia; 5 – Tcheco-Eslováquia; 6 – Suíça; 7 – Cuba; 8 – França; 9 – Romênia; 10 – Alemanha; 11 – Polônia; 12 – Noruega; 13 – Bélgica; 14 – Holanda; 15 – Antilhas Holandesas.

O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO–5

           
              Torcedor brasileiro assistiu, em 1950, tragédia no Maracanã

                        
    O baião de Luis Gonzaga, as marchinhas carnavalescas de Lamartine Babo e o filme "Carnaval de Fogo", de Watson Macedo estavam no auge. Nos gramados, Ademir Marques de Menezes era o futebolista mais popular, eleito numa votação por torcedores, com 5,3 milhões de votos, quase o dobro do obtido pelo presidente da república eleito naquela ano, Getúlio Vargas.
 Ademir era o “rei” de um futebol que se orgulhava de contar com o maior estádio do mundo – o Maracanã deveria chamar-se Ângelo Mendes de Morais, homenageando o prefeito que o construíra –, com capacidade para 155 mil almas. Maior do que ele só o apetite do brasileiro pelo grande símbolo sexual da época, a atriz Luz del Fuego.
 Aquilo tudo acontecia no início da década-50, quando o Brasil tinha 52 milhões de habitantes, inflação anual de 3,4%, taxa de analfabetismo em torno de 50% e alinhava-se política e culturalmente aos Estados Unidos. Para o presidente Eurico Gaspar Dutra, o país encontraria identidade e afirmação nacional, promovendo e conquistando da Copa do Mundo, o que Barbosa, Augusto, Danilo (Vasco), Juvenal (Flamengo), Bauer (São Paulo e Bigode (Flamengo), em pé, da esquerda para a direita); Maneca (Vasco), Zizinho (Flamengo), Ademir (Vasco), Jair (Palmeiras) e Chico (Vasco) tiveram a oportunidade, mas não conseguiram

CANDIDATURA – O Brasil manifestara o desejo de promover um Mundial durante o Congresso da FIFA, de 1938, em Paris. A Alemanha, que realizara as Olimpíadas de 1936, também, queria. Se dependesse da vontade do presidente da entidade, Jules Rimet, a disputa seria na América do Sul. Inclusive, ele viera ao Rio de Janeiro, em 1939, e voltara levando argumentos que consideravam capazes de vencer os dos alemães, os quais ainda visitaria. Mas, em 1º de setembro daquele ano, a Alemanha invadiu a Polônia, gerou à II Guerra Mundial e os desportistas ficaram 12 anos sem o maior torneio internacional do futebol.
 Ainda em 1939, temendo que os arquivos da FIFA caíssem em poder dos nazistas, Jules Rimet os levou, de Paris, para a Suíça. Enquanto isso, durante o período do conflito mundial, a taça que Uruguai e Itália já haviam conquistado, foi escondida, pelo italiano Otorino Brassi. Terminada a guerra, em 1946, com a Alemanha vencida e os demais países europeus em reconstrução, realizou-se um congresso, em Luxemburgo, marcando a próxima Copa, para 1950. Antes, em 1948, no Congresso de Londres, que sediava Olimpíadas, finalmente, o Brasil foi definido como sede de um Mundial.
 Não foi fácil para o Brasil formar quatro grupos de quatro seleções e realizar um Mundial sem o sistema eliminatório vigorado em 1934/38. Pra chatear, os vizinhos argentinos boicotaram o torneio, alegando medo de agressões a seus atletas, devido à briga com os brasileiros, na final do Campeonato Sul-Americano de 1946, em Buenos Aires. Escócia, Áustria, Turquia, Índia, Portugal, França, Peru e Equador não foram seduzidos pelo torneio, enquanto Hungria, Tcheco-Eslováquia e Polônia, convidados para preenchimento de vagas, nem responderam. Mas Inglaterra, Itália, Iugoslávia, Suécia, Suiça e Espanha representaram o continente europeu.
 Para o quarto Mundial de Futebol, o Brasil construiu o maior estádio do mundo, o Maracanã, no Rio de Janeiro, inaugurado em 16 de junho de 1950, com uma seleção paulista de novos vencendo a dos cariocas, por 3 x 1, e o primeiro gol na casa sendo marcado pelo futuro bicampeão, nas Copas de 58 e 62, Valdir Pereira da Silva, o Didi “Folha Seca”.
E ROLA A FESTA – Em 24 de junho, 81.649 torcedores assistiram à arrancada da Seleção Brasileira rumo ao esperado “caneco”, goleando os mexicanos (foto), por 4 x 0. Treinador campeão carioca, em 1939/42/43/44, pelo Flamengo, e das Copa Roca-1945, da Taça Rio Branco-47 e do Sul-Americano-48, pela Seleção Brasileira, além dos cariocas de 1947/49 e do Sul-Americano de Clubes Campeões, em 48, pelo Vasco da Gama, Flávio Costa, usara a base do melhor quadro brasileiro da época, chamado de “Expresso da Vitória”, escalando seis cruzmaltinos na estréia: Barbosa, Augusto (capitão), Ely, Danilo, Maneca e Ademir. Tudo certo e dois gols de Ademir – aos 32 minutos do primeiro e aos 36 do segundo tempo – Jair, aos 21, e Baltazar, aos 27, na fase final, completaram a “balaiada”.
 O Brasil jogou com: Barbosa, Augusto e Juvenal; Ely, Danilo e Bigode; Maneca, Ademir,Baltazar, Jair e Friaça. O México, treiandor por Octavio Vial, teve: Carbajal, Zetter e Montemayor; Ruiz, Ochoa e Roca; Septien, Ortiz, Casarin, Perez e Velaquez. O árbitro foi o inglês George Reader.
Pra tirar um sarro nas outras torcidas, os cruzmaltinos chamavam a Seleção de "SeleVasco" .
 TROPEÇO NO PACEMBU - Por causa da derrota, por 4 x 3, para o Uruguai, e do empate, por 3 x 3, com o Paraguai, na fase de preparação para o Mundial, a imprensa paulista passou a criticar o técnico Flávio Costa, por escalar sua linha média – na época, um zagueirão, um apoiador e um lateral – com os vascaínos Ely e Danilo, além do tricolor Bigode, deixando os são-paulinos Bauer, Ruy e Noronha na reserva.
Pois bem! Assim como queriam os paulistas, o treinador os atendeu e escalou o time que enfrentou a Suíça, em 26 de junho, no Pacaembu, formando com: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Ruy e Noronha; Alfredo, Maneca, Baltazar, Ademir e Friaça. Com quatro são-paulinos – Friaça era o outro – e o corintiano Baltazar, o Brasil ficou no decepcionante 2 x 2 , diante de 42.032 pagantes. Alfredo, aos 2, e Baltazar, aos 31 minutos do primeiro tempo, marcaram os gols brasileiros, enquanto Fatton, aos 16 do primeiro e aos 43 do segundo, fez os dos suíços, que jogaram assim: Stuber, Neury e Bocquet; Lusenti, Eggimann e Quinche; Tamini, Bickel, Friedländer, Bader e Fatton. O espanhol Ramon Azon Roma apitou a partida.
De volta ao Maracanã, em 1º de julho, Flávio Costa manteve só Bauer, dos paulistas, no time. Zizinho tomou o lugar de Baltazar e Chico o de Friaça, na vitória, sobre a Iugoslávia, por 2 x 0 (foto). Com 3 minutos de torcida vibrando, Ademir abriu o placar. Mas o segundo tento só foi surgir, aos 24 da etapa final, com Zizinho. Placar suficiente para classificar o Brasil, no Grupo 1, enquanto o 2 foi vencido pela Espanha, o 3 pela Suécia e o quatro pelo Uruguai.
Veio a fase decisiva, e o Brasil sapecou, em 9 de julho, no Maracanã, 7 x 1 em cima dos suecos, mesmo com aqueles armando um esquema tático fechadíssimo. Só no primeiro tempo foram três gols – Ademir, aos 17 e aos 36, e Chico, aos 39 minutos. Na etapa final, Ademir marcou mais dois gols – aos 7 e aos 9 –, enquanto e Maneca, aos 40,e Chico, aos 43, completaram o serviço – Andersson, cobrando pênalti, aos 22, do segundo tempo, fez o gol de honra sueco.Asistido por 138.886 pagantes, o jogo foi apitado pelo inglês Arthur Ellis. O Brasil foi: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Maneca, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Suecos: Svensson, Samuelsson e Nilsson; Andersson, Nordhal e Gärd; Sundqvist, Palmer, Jepsson, Skoglund e Steffan Nilsson.
A MÁQUINA ALVIAZUL – O uniforme da Seleção Brasileira ainda era azul e branco. Com ele, o time que disputava aquela Copa do Mundo, produzia autênticos espetáculos. Bem comparou o jornalista chileno Pepe Navas, enviando para os seus leitores: “Entre os monumentos do Brasil moderno, juntamente com o Cristo Redentor e os arranhaceus de Flamengo e Botafogo (bairros), há que se colocar essa máquina esportiva construída por Flávio Costa”.
O deslumbramento de Navas chegara ao ápice assistindo a goleada brasileira, de 13 de julho, no Maracanã, quando o time anfitrião do Mundial mandou 6 x 1 pra cima dos espanhóis. “Onze homens fundidos em um instrumento futebolístico perfeito, exibindo sobre a grama verde todos os atrativos que o futebol pode ter quando seus cultores alcançaram o máximo nível de eficiência”, considerou o “periodista”.
E não fora por fraqueza técnica e nem por falta de raça que a Espanha perdera, tão fragorosamente. Jogara com as mesmas qualidades que lhe fizeram merecer a alcunha de “A Fúria”. Naquela tarde, simplesmente, ninguém conseguira parar Zizinho, Ademir Menezes e Jair Rosa Pinto, protegidos, mais atrás, por verdadeiros generais, casos de Bauer e Danilo Alvim. Restava ao goleiro Barbosa pouco ter o que fazer. Encantado, assim como Pepe Navas, outro cronista – José Maria Navals – escreveu: “ Jogado como o fizeram os integrantes da equipe brasileira, o futebol adquire facetas de obra de arte. Um pouco de balé e outro pouco de plástica. Naquela tarde, os brasileiros estiveram bem perto de serem perfeitos”.
Enquanto isto, no Pacaembu, em São Paulo, o Uruguai conseguia virar, para 3 x 2, o jogo em que perdia para a Suécia. Quatro dias antes, já sofrera muito para conseguir empatar, por 2 x 2, como os mesmos espanhóis. Naquela tarde em que a torcida brasileira cantou, no Maracanã, a marchinha carnavalesca “Touradas em Madrid”, de João de Barros, o Braguinha, que chorava de emoção, nas arquibancadas. O time de Flávio Costa foi: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Maneca, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Pela Espanha, o técnico Benito Díaz contou com: Ramallets, Gabriel Alonso, Gonzalvo II, Gonzalvo III, Parra, Puchades, Basora, Igoa, Zarra, Panizo e Gaínza.  

O INCRÍVEL MARACANAZO – No dia 16 de julho de 1950, 173.850 pagantes foram registrados nas catracas do Maracanã. Mas umas 200 mil pessoas (foto)poderiam estar na casa, pois, em determinado momento, as máquinas pararam de anotar os "entrantes". Pelos dias que antecederam a tarde da final do Mundial, a Seleção Brasileira já era saudada como a campeã do mundo. Na véspera do jogo, o jornal O Mundo publicou uma foto da equipe, sob a manchete: “Estes são os campeões do mundo!". E deveriam ter sido, pois eles chutaram 30 vezes ao gol, contra 12 tentativas dos uruguaios, que ninguém, antes, acreditava.
Tudo favorecia ao Brasil. Em 30 jogos entre as duas seleções, haviam sido registradas 13 vitórias nossas e 11 deles, além de seis empates. Fizemos 58 gols e eles 52. Dentro do clima de “já ganhou”, os brasileiros só levavam em conta um iten sobre a Celeste: a sua sorte, como no gol de empate, com a Espanha, para chegar à decisão. Só que ela tinha um grande capitão, Obdúlio Varela, que sabia inflamar os companheiros. Tanto que eles colocaram duas bolas contra as traves defendidas por Barbosa, além das duas nas nossas redes.
O Brasil foi pro jogo com tanta gana em ganhar a Copa do Mundo, que cometeu 21 faltas, contra 11 dos adversários. E o gol de Alcides Ghiggia representara seu único chute ao gol. Enfim, derrota na última partida da seleção com camisas brancas, de frisos azuis, e calções, também, azuis. Mas não fora só aquela indumentária que terminaria destruído: a mesma sorte teve o busto do prefeito Mendes de Moras, derrubado pela enfurecida multidão.
EXCESSO DE EXCESSO - A empolgação passava de todos os limites, na concentração da Seleção Brasileira. Dirigentes, visitantes (e torcedores, é claro) tinham a certeza da vitória. Extrapolava-se. Centenas de pessoas transformavam o local em um autêntico inferno. Os atletas não diferiam de ninguém. Só esperavam pelo fim da partida, para “cumprirem o óbvio”. Além de a imprensa produzir edições especiais, saudando os “novos campeões mundiais”, compositores compareciam com músicas falando da grande conquista. Antes de a Seleção ir a campo, os atletas foram obrigados a ouvir vários discursos bombásticos, chamando-os de “legítimos campeões mundiais, herois de 50 milhões de brasileiros, mestres insuperáveis das arte de jogar futebol”, coisas assim, que só serviram pra pré-derrotá-los.
O carnaval estava pronto. A candidatura de Flávio Costa, a vereador, ganhava mais e mais adeptos. De sua parte, o treinador temia e alertava, repetidamente: “Ainda é cedo pra festejar um título que nem acabamos de disputar. Falta enfrentar os uruguaios, e eles são adversários dificílimos. Também, teem chances e lutarão por isso”. Mas ninguém lhe dava ouvidos. O que importava, simplesmente, era o pensamento: se o Brasil detonara Espanha e Suécia, não teria dificuldades pra fazer o mesmo com o Uruguai (foto), que sofrera para tirar aqueles dois adversários da frente.
O JOGO – Os alviazuis dominaram o primeiro tempo, mas a Celeste segurou o placar de 0 x 0. Valeu-se do fato de Jair Rosa Pinto, com passos policiados por Obdúlio Varela, não ter conseguido entrar na sua área, como era uma sua característica, e da demorar nos chutes do goleador Ademir Menezes, atacante rápido e famoso pelos impressionantes rushes em direção ao gol.
Os uruguaios, capitaneados pela “coragem indômita e a indomável valentia” de Varela, como se escreveu, seguravam os brasileiros, com marcação forte e cerrada. Os ponteiros Friaça (direito) e Chico (esquerdo), por exemplo, tinham, respectivamente, Rodríguez Andrade e Gambetta, como selos apregados em suas camisas. Ademir, que já havia marcado nove gols, via o violento Matias Gonzalez querendo consumir até a sua sombra. Pra piorar, Tejera não deixava Zizinho respirar, quando atacava, e até o centroavante Schiaffino o marcava, quando recuava. A seleção de Flávio Costa era um Brasil freado. De nada adiantava Danilo Alvim e Bauer apoiarem bem. Atacando, desesperadamente, as vezes, abria-se a retaguarda aos contraataques celestes.
SEGUNDO TEMPO – Pouco depois de o árbitro inglês George Reader apitar o reinício da partida, Zizinho roubou a bola sobrada de uma disputa, entre Friaça e Rodríguez Andrade, e mandou-a para Ademir, que lançou Friaça. Este, do bico da área, bateu cruzado, abrindo o placar. Para a torcida, se o Brasil só precisava empatar, para levar a taça, com 1 x 0 de vantagem, o mais era fazer o goleiro Máspoli não parar de visitar o fundo da rede.
Os uruguaios não aceitaram a derrota antecipada. Viram que Bigode, o lateral-esquerdo brasileiro, não estava bem. Famoso, por cometer faltas, seguidamente, o marcador alviazul achara de mudar a sua característica logo numa final de Copa do Mundo. Tentava jogar limpamente. Resultado: foi, pelo seu setor, que a Celeste mudou os destinos da decisão. "Vai, Bigode", gritava a torcida toda vez que Gigghia partia para o gol brasileiro.
Ao 20 minutos, Alcides Gigghia deixou o jogador do Fluminense para trás, lançou Schiaffino e este empatou: 1 x 1. Aos 33, Gigghia repetiu o lance. Progrediu, pela direita e, em vez de voltar a cruzar a bola para Schiaffino, mandou-a para o gol, iludindo Barbosa. A pelota passou entre o goleiro e o poste esquerdo, no único erro do camisa 1 brasileiro em todo aquele Mundial: Uruguai 2 x 1, treinado por Juan López e aplaudido pela torcida anfitriã, quando Varela recebia a taça, das mãos do presidente da FIFA, Jules Rimet.
O time brasileiro: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bigode, Danilo e Bauer; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Uruguai: Máspoli, Matias González e Tejera; Gambeta, Obdúlio Varela e Rodrigues Andrade; Gigghia, Júlio Perez, Míguez, Schiaffino e Morán.
VICES E VILÕES - João Ferreira, o Bigode, parou de jogar, em 1957, acusado de ser covarde e de ter levado um tapa, de Obdulio Varela, no rosto. Foi trabalhar como técnico de rádio e TV, pagou tributos sobre cinco salários-mínimo ao INPS, mas aposentou-se recebendo só dois. Nos últims anos de vida, morava num quarto da casa de um compadre na cidade capichaba São Mateus.
Friaça, o autor do gol brasileiro, viveu até 2008. Contava que, no seu gol, driblou para a direita e a esquerda, e chutou quando viu Maspoli deixando o canto direito aberto. Quando deu por si, havia uma pessoa lhe abraçando, o locutor da Rádio Nacional, César de Alencar. Em cinco minutos, ele não via mais nada. Todo mundo o abafava e ele apagava. Acordou com tudo escuro. Flávio Costa – viveu 93 anos, até 22 de novembro de 1999, quando foi levado por um aneurisma abdominal. Ademir – sua medula o tirou do campo desta vida, em 11 de abril de 1996. Danilo Alvim – levado por um enfarte, em 16 de maio de 1996. Barbosa – derrame cerebral o matou, em 7 de abril de 2000, Foi eleito melhor goleiro da Copa-50. Zizinho, o melhor jogador da competição, entrou no terceiro jogo, contra a Iugoslávia, com o joelho enfaixado, devido a uma entorse. Viveu até o início de 2002. Juvenal – passou os últimos anos de vida, praticamente, na miséria, na Bahia. Viveu até 2009.
TODOS OS RESULTADOS – Brasil 4 x 0 México; Iugoslávia 3 x 0 Suíça; Brasil 2 x 2 Suíça; Iugoslávia 4 x 1 México; Brasil 2 x 0 Iugoslávia; Suíça 2 x 1 México; Ingalterra 2 x 0 Chile; Espanha 3 x 1 Estados Unidos; Espanha 2 x 0 Chile; Estados Unidos 1 x 0 Inglaterra; Espanha 1 x 0 Inglaterra; Chile 5x 2 Estados Unidos; Suécia 3 x 2 Itália; Suécia 2 x 2 Paraguai; Itáli 2 x 0 Paraguai; Uruguai 8 x 0 Bolívia; Brasuil 7 x 1 Suécia; Espanha 2 x 2 Uruguai; Brasil 6 x 1 Espanha; Uruguai 3 x 2 Suécia; Suécia 3 x 1 Espanha e Uruguai 2 x 1 Brasil. CLASSIFICAÇÃO FINAL: 1 - Uruguai; 2 - BRASIL; 3 - Suécia; 4 - Espanha; 5 - Iugoslávia; 6 - Suíça; 7 - Itália; 8 - Inglaterra; 9 - Chile; 10 - Estasdos Unidos; 11 - Paraguai. 12 - Bolívia e 13 - México..

O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO–6

Em 1954, Brasil marcou por zona e foi parar na Hungria

De volta ao continente europeu, a Copa do Mundo da Suíça teve quatro esquisitices: a desistência de seis inscritos, para a fase classificatória; um sorteio que, nas eliminatórias, classificou a Turquia e tirou a Espanha, após uma vitória para cada lado e um empate; a negativa da Argentina de participar, e a colocação de quatro seleções britânicas – Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales – em um mesmo grupo.
  Ainda abatida pelo 16 de julho de 1950, a Seleção Brasileira só voltara aos gramados em 4 de abril de 1952, quando disputara (e conquistara) o Pan-Americano, no Chile, o seu primeiro título no exterior. Da turma que jogara a Copa anterior, ficaram só Bauer, Baltazar e Ademir Menezes.
 Para ir à Suíça, a CBD trocou o técnico Flávio Costa, por Zezé Moreira, que havia ganho o Campeonato Carioca de 1951, pelo Fluminense. Embora tivesse se dado bem no Pan, Seu Zezé perdera o título do Sul-Americano de 1953, para os paraguaios. Mas recuperara-se nas eliminatórias, vencendo os mesmos paraguaios e os chilenos, dentro e fora de casa, marcando oito e sofrendo apenas um gol. Assim, depois de ter cruzado o Atlântico, a bordo dos navios Conte Verde, em 1930, Conte Biancamano, em 34, e Arlanza, em 38, a Seleção Brasileira embarcou em um avião Constellation da Panair, para chegar a um Mundial, pela primeira vez, por via aérea.
 Para os críticos, Zezé Moreira armara um time mais defensivo do que a seleção de 50 e fora injusto com Jair, Zizinho, eleito o melhor jogador da Copa-50, e Ademir, principal artilheiro daquele Mundial e campeão Pan-Americano-52. Todos ainda estavam em grande forma.
Os brasileiros estrearam, em 16 de junho, em Genebra, goleando os mexicanos, por 5 x 0, no estádio do Servette, o Chemilles. Baltazar, aos 23; Didi, aos 30; Pinga (foto), aos 34 e aos 43 minutos do primeiro tempo, e Julinho Botelho, aos 24 da etapa final, foram os marcadores no jogo assistido por 12 mil pagantes e apitado pelo suíço Paul Wyslling. De quem jogou a Copa perdida para os uruguaios, só haviam atuado Bauer e Baltazar. A escalação foi: Castilho, Djalma Santos, Pinheiro e Nílton Santos; Bauer e Brandãozinho; Julinho Botelho, Didi, Baltazar e Rodrigues. O México foi: Mota, Lopez, Gomez e Romo; Cardenas e Avalos; Torres, Naranjo, Lamadrid, Balcazar e Arellano.
 Três dias depois, no estádio La Pontaise, em Lausanne, o futebol brasileiro viveria uma de suas histórias mais esquisitas. Empatava, por 1 x 1, com a Iugoslávia, se matava para virar o placar, aberto por Zebec, aos 3 minutos do segundo tempo – Didi empatara, aos 24 – sem saber que a igualdade classificava as duas seleções. E o chefe da nossa delegação, João Lyra Filho, era expert em regulamentos. Sem necessidade, o time jogou uma prorrogação de mais 30 minutos.
 Com público de 21 mil pagantes e arbitragem do escocês Edward Faultless, a Seleção Brasileira foi: Castilho, Djalma Santos, Pinheiro e Nilton Santos; Bauer e Brandãozinho; Julinho, Didi, Baltazar, Pinga  e Rodrigues. Iugoslávia: Beara, Stankovic, Crnkovic e Caikowski; Horvat e Boskov; Milus Milutinovic, Mitic, Zebec, Vukas e Dvornik – o time desta foto é formado não foi o que jolgou e está posado com: Djalma Santos, Ely, Nílton Santos, Brandãozinho, Castilho, Pinheiro (em pé, da esquerda, para a direita), Julinho Botelho, Didi, Baltazar, Pinga e Rodrigues (agachados, na mesma ordem).
A BATALHA DE BERNA – Esta é garantida. Em qualquer leitura sobre o Mundial-54 estará tal consideração. Faz até sentido, pois rolou uma pancadaria durante e depois que a Hungria eliminou os brasileiros, por 4 x 2, no Estádio Wankdorf, em 27 de junho, diante de 40 mil pagantes.
Invictos, há quatro anos, os húngaros jogavam num 4-2-4, com o centroavante recuando. Os brasileiros usavam a mesma tática, mas com centroavante e ponta-de-lança juntos. Mesmo sem o seu principal jogador, o contundido Puskas, os magiares abriram o placar, com 4 minutos de jogo, quando o zagueiro Pinheiro, com bola dominada, tentou driblar dois adversários, na altura do bico direito da sua pequena área. Terminou entregando o gol a Hidegkuti.
Sem se refazer da bobeada, a Seleção Brasileira sofreu o segundo tento, três minutos depois, em nova falha da zaga, que parou, pedindo impedimento. Como o árbitro inglês Arthur Ellis não concordou, Koksis cabeceou para a rede. O Brasil diminuiu, aos 18, com Djalma Santos cobrando um pênalti, sofrido por Índio. E ficou por aquilo o primeiro tempo. No segundo, aos16, o penal foi a favor dos húngaros, cobrado por Lantos. No lance, o árbitro viu a bola na mão de Pinheiro, dentro da área. O Brasil, porém, reagiu, quatro minutos depois, quando Didi lançou e Julinho Botelho encaçapou.
Foi então que começaram as baixarias. Num lance em que a bola parou perto do técnico Zezé Moreira (foto), este a trocou por uma murcha. Torcedores, árbitros e adversários se irritaram com a sua deselegância. Depois, Nilton Santos entrou pra rachar Bozsic, que revidou. Os dois foram expulsos. Aos 43, Kocsis chutou, de longe, Castilho falhou e acabou-se o Mundial para o Brasil. Mas não, das baixarias. Após o apito final, Humberto Tozzi agrediu Lorant, e também foi expulso. Zezé Moreira acertou uma chuteirada no rosto do técnico húngaro, Gustav Sebes, ministro dos esportes do seu país, e Pinheiro levou uma garrafada.
MARAVILHOSOS MAGIARES - Pra começar, os húngaros estrearam no Mundial, goleando a Coréia do Sul, em 17 de junho, por 9 x 0. Veio, a seguir, a Alemanha, e nova goleada: 8 x 3. O terceiro jogo foi o dos 4 x 2 sobre o Brasil, pelas quartas-de-final. Nas semi, 2 x 2, com os uruguaios, no tempo normal, e 2 x 0, na prorrogação. Na final, derrota, por 3 x 2, frente à Alemanha, após estarem vencendo, por 2 x 0, com 15 minutos de jogo. Por aquela ninguém esperava. E a taça ficou com os alemães.
TODOS OS RESULTLADOS: Iugoslávia 1 x 0 França; Brasil 5 x 0 México; França 3 x 2 México; Brasil 1 x 1 Iugoslávia; Hungria 9 x 0 Coreia do Sul; Alemanha 4 x 1 Turquia; Hungria 8 x 3 Alemanha; Turquia 7 x 0 Coreia do Sul; Alemanha 7 x 2 Turquia; Áustria 1 x 0 Escócia; Uruguai 2 x 0 Tcheco-Eslováquia; Áustria 5 x 0 Tcheco-Eslováquia; Uruguai 7 x 0 Escócia; Inglaterra 4 x 4 Bélgica; Suíça 2 x 1 Itália; Inglaterra 2 x 0 Suiça; Itália 4 x 1 Bélgica; Suíça 4 x 1 Itália; Áustria 7 x 5 Suíça; Uruguai 4 x 2 Inglaterra; Alemanha 2 x 0 Iugoslávia; Hungria 4 x 2 Brasil; Alemanha 6 x 1 Áustria; Hungria 4 x 2 Uruguai. Áustria 3 x 1 Uruguai e Alemanha 3 x 2 Hungria. CLASSIFICÇÃO FINAL – 1 – Alemanha; 2 – Hungria; 3 – Áustria; 4 – Uruguai; 5 – Suíça; 6 – BRASIL; 7 – Inglaterra; 8 – Iugoslávia; 9 – França; 10 - Turquia; 11 – Itália; 12 – Bélgica; 13 – México; 14 – Tcheco-Eslováquia; 15 – Escócia e 16 – Coréia do Sul.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO–7

Seleção vestiu azul e trouxe o caneco do estrangeiro



                                  
   Enfim, a Confederação Brasileira de Desportos mudara tudo o que fizera (de errado), antes, para preparar uma seleção. Mas, pra variar, não deixou de levar, na bagagem, um pouquinho de desorganização. Por exemplo, não numerou os atletas. Ficou a história de que isso teria sido feita, aleatoriamente, por um uruguaio membro do Comitê Orgnizador da FIFA. No entanto, o ponta-esquerda Zagallo conta que a numeração das camisas coincidia com o número das malas com que cada um jogador viajou.
 Em declaração ao site oficial da Copnfederação Brasileira de Futebol (CBF), o Lobo contou: “Havia uma numeração nas malas de viagem. Me lembro que me deram uma com o o número 7. A do Pelé era a 10”. Assim, teria ficado esta estranha numeração: Gilmar (3); Castilho (1); Djalma Santos (4); De Sordi (14); Bellini (2); Mauro (16); Orlando (15); Zózimo (9); Nílton Santos (12); Oreco (8); Zito (19); Dino (5); Didi (6); Moacir (13); Garrincha (11); Joel (17); Vavá (20); Pelé (10); Zagallo (11) e Pepe (22).
 Incluídos no fortíssimo Grupo 4, os “canarinhos” estrearam, em 8 de junho, vencendo a Áustria, no estádio Rimmewallen, em Uddevalla, por 3 x 0, com um futebol elegante, prático, deslumbrante. Mazolla, aos 38 minutos do primerio tempo, e aos 35 do segundo, e Nilton Santos, aos 4 da fase final, fizeram os gols.
Para estrear, o treinador Vicente Feola não tinha muita confiança em Pelé e Garrincha, por vê-los muito jovens. Inovando, taticamente, com o 4-2-4, que variava, para o 4-3-3, Feola abandonou o 2-3-5 dos Mundiais passados, e deixou, também, Djalma Santos, Zito e Vavá na reserva. O Brasil jogou com: Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos; Dino Sani e Didi; Joel Martins, Mazolla, Dida e Zagallo. A Áustria, do técnico Karl Argauer, foi: Szanwald; Halla e Happel; Swoboda, Hanappi e, Köller; Senekowitsch, Buzek, Koerner e Schleger.
INGLESES - Em 11 de junho, em Goteborg, a Seleção Brasileira esbarrou no goleiro inglês McDonald, que segurou o primeiro 0 x 0 da história das Copas. Do time da partida anterior, só Dida perdeu a vaga – para Vavá. O placar fora visto como alerta, pois, pelo que se comentava, o pior estaria por vir, diante da temível equipe que usava camisas vermelhas, com as letras CCCP (União as Repúblicas Socialistas Soviéticas) no peito. Era o time campeão olímpico de 1956, e, segundo diziam, programado, pelo cérebro eletrônico (atual computador). Só que Mané Garrincha – substituíra Joel –  nunca ouvira falar daquilo.
  Além de Garrincha e Zito, que barrara Dino Sani, o escrete canarinho teve, ainda, a estreia do garoto Pelé, de 16 anos. Por sinal, esta escalação – e a do Mané – é uma das histórias mais contadas do futebol brasileiro. Enfim, rolou a bola e, em poucos minutos, com duas jogadas praticamente iguais, Mane Garrincha “descadeirou” os adversários e deixou Vavá na cara do gol, só para fazer 2 x 0 e acabar com tanto mistério sobre os chamados russos, que ficaram com a segunda vaga da chave, vencendo a Inglaterra, por 1 x 0, em um jogo extra, após 2 x 2 na primeira partida.
 Alemanha, Brasil, França, Irlanda do Norte, Iugoslávia, País de Gales, Suécia e União Soviética foram os classificados às quartas-de-final. Surpreendentemente, Inglaterra e Áustria, bem mais superiores a irlandeses e galeses ficaram de fora.
  E veio a nova etapa. Em 19 de junho, o Brasil encontrou sérias dificuldades pra vencer Gales, por 1 x 0 – primeiro gol de Pelé na Copa. A tática do adversário foi, de saída, atacar forte, para tentar marcar um gol e segurar a vantagem, depois. Sem seu astro, John Charles, não funcionou. E a modesta zebra britânica, apresentando uma resistência jamais vista, terminou bombardeada pelo time brasileiro, permitindo ao goleiro Kelsey repetir McDonald.
 Como as redes não balançavam, os brasileiros começaram a se enervar. Porém, os 25 minutos do segundo tempo, de calcanhar, Didi lançou Pelé. De costas para as traves, o garoto santista, de 17 anos, levantou a bola sobre a cabeça do zagueiro central Willians, aplicando-lhe o chamado “chapeu”. Pelé girou contra o marcador, com incrível velocidade e, antes que a bola caísse ao chão, chutou-a, para a rede. Belíssimo gol, que colocou o Brasil nas semifinais, ao lado de Alemanha, França e Suécia, que venceram, respectivamente, aos iugoslavos, por 1 x 0; aos norte-irlandeses, por 4 x 0, e aos soviéticos, por 2 x 0.
 A Seleção Brasileira que venceu Gales foi: Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi;Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. O País de Gales contou com: Kelsey;
 OS TEMÍVEIS FRANCESES - Este foi o jogo quer marcou o encontro de dois mestres do futebol, o brasileiro Didi (foto/E) e o francês Kopa. A tarde de 24 de junho, no estádio Rasunda, em Solna, perto da capital Estocolmo, estava reservada para o duelo entre os melhores ataque e defesa do Mundial de 58 – a França havia marcado 15 gols e o Brasil não sofrido nenhum. Para motivar ainda mais o seu time, os adversários levaram até as esposas dos jogadores para assistirem à partida.
 E deu o que se esperava. Os primeiros 20 minutos foram os melhores do futebol naquela Copa, com lances vibrantes e jogadas rápidas. Com dois minutos, Vavá penetrou, pelo centro e, quase da pequena área, abriu o placar. Os brasileiros notaram que a defesa francesa não correspondia à categoria do seu ataque. Os franceses não se abateram e empataram, seis minutos depois. Kopa fez um lançamento longo, sob medida, para Fontaine, num espaço onde De Sordi e Nílton Santos deveriam barrá-lo. Rapidíssimo, o goleador venceu Bellini e Gilmar e balançou a rede.
  O Brasil voltou a passar na frente do placar, aos 29, com Didi (foto) mandando um chute, de curva, a 40 metros de distância do gol, na chamada gaveta. Aconteceu minutos depois da contusão de Jacquet, num choque com Vavá.
 Para o apoiador Zito, não fora a contusão de Jonquet o motivo da queda da produção do time francês, após o segundo gol brasileiro. Ele garante que, naquele dia, o Brasil ganharia de qualquer time. Jonquet, por sinal, errara, no tento que movimentara o placar, entregando bola dominada a Garrincha. Ele chegou a aplicar um carrinho, para recuperá-la, mas Zito pegou a sobra e lançou Vavá, que não perdoou.
 Naquele dia, Bellini conseguiu anular o mais perigoso dos atacantes adversários, o artilheiro Fontaine, que já balançara as redes por oito vezes, e houve, ainda, um gol canarinho anulado, por um bandeirinha, erradamente,quando Zagallo chutou e a bola bateu numa das traves e, dentro do gol, atrás do goleiro Abbes. Mais? O zagueiro Kaelbel cometeu um pênalti claro, sobre Garrincha, não marcado pelo árbitro.
 O terceiro gol surgiu de uma falha clamorosa de Abbes. Nilton Santos cruzou, da esquerda, o goleiro saltou para a defesa, mas entregou a bola nos pés de Pelé, aos 7 minutos do segundo tempo. Pelé faria, ainda, o quarto e o quinto, aos 19 e aos 30 minutos. No penúltimo, pegando um estouro de bola de zaga francesa e mandando a bola, pelo alto, à direita de Abbes; no último, após uma troca de passes: Zito, Didi, Pelé, Zagallo, Zito, Didi e, finalmente, Pelé. Aos 38, a França encerrou o placar, em 5 x 2, com um gol de Piantoni. Tudo aquilo acontecera numa mesma tarde em que os suecos venceram os alemães, por 3 x 1, classificando-se, também, para a final.
 A Seleção Brasileira jogou com: Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. A França foi: Abbès; Kaelbel, Jonquet e Lerond; Penverne e Marcel; Wisnieski, Fontaine, Kopa, Piantoni e Vicent. O jogo foi assistido por 27.100 pagantes e apitado por Marvyn Griffiths, do País de Gales.
  O Mundial da Suécia foi o primeiro com quatro grupos de quatro equipes, todas jogando entre si, para sobrarem duas para as quartas-de-final, entre oito representações. Depois, quatro fariam as semifinais. Como o regulamento não premiava o saldo de gols, na primeira fase, houve três jogos de desempates.
SOB O MANTO DE NOSSA SENHORA - Com Djalma Sntos substituindo o contundido De Sordi, a Seleção Brasileira –  na foto, Djalma Santos, Zito, Bellini, Nílton Santos, Orlando e Gylmar, em pé, da esquerda para a direita; Garrincha, Didi, Pelé, avá e Zagallo, agachadosd, na mesma ordem –  foi avassaladora contra os suecos, cujos grandes cartazes eram Gustavsson, Liedholm, Hamrim e Skoglund, que jogavam no futebol italiano. O time do técnico Vicente Feola mostrou ímpeto e técnica raros. Tanto que o susto pela abertura do placar, por Lindholm, aos três minutos, não pesou tanto. Aos nove, Vavá empatou – e desempatou, aos 32.
 Com 2 x 1 de frente, no primeiro tempo, os brasileiros voltaram mais acesos, para a etapa final. Pelé fez 3 x 1, aos cinco minutos, emudecendo a platéia sueca, com uma belíssima jogada. Passados 13 minutos, Zagallo aumentou, para 4 x 1. Maravilhada, a torcida anfitriã passou a aplaudir, ensurdecedoramente, os adversários, que tiveram todas as suas jogadas bonitas saudadas, efusivamente.
 A Suécia, ainda, marcou um tento, aos 35 minutos, por intermédio de Simonsson. Mas Pelé fechou o placar, em 5 x 2, no último minuto, gerando mais uma história interessante daquele Mundial: quando viu os atletas comemorando – logo em seguida ao tento, o árbitro francês Maurice Guige apitara o final da partida – Vicente Feola achara que a festa era pelo gol. Era uma comemoração dupla.
Instantes depois, dentro do estádio Rasunda Solna, em Estocolmo, diante de 49.800 pagantes, o presidente da FIFA, o inglês .. Drewery proclamou o Brasil campeão mundial de futebol e chamou o capitão Bellini para receber a taça de ouro puro, com 1,8 kg, pesando, no total, 4 kg. Confeccionada por Abel Lafleur, media 30 centímetros de altura, desde a base de mármore em que a vitória alada se apoiava, levando em suas mãos, levantadas sobre a cabeça, um vaso octogonal, em forma de copa.
 Aplaudido intensamente, Bellini (fotos) inovou. Para atender aos fotógrafos, ergueu a Taça Jules Rimet, um gesto que seria imortalizado, dali por diante. E o Brasil passava a ter o seu nome inscrito, nas placas especiais da base da vitória alada, ao lado de Uruguai, Itália e Alemanha.
   Ainda maravilhados com o futebol dos novos campeões, os suecos não arredavam os pés do estádio. Ouviram o hino nacional brasileiro, enquanto o sol aparecia em Solna, como se quisesse “associar-se à magnífica festa de consagração do futebol brasileiro, como o melhor do mundo”, conforme escreveu o redator da extinta Revista do Esporte, sem deixar de ressaltar ao choro do capitão Bellini, “que abaixou a cabeça, para ocultar as lágrimas que lhe corriam, fartamente, pelo rosto”.
  Naquele momento, era emoção do tamanho do futebol jogado pelo time de Vicente Feola. Gilmar encostava o rosto ao peito de um companheiro. “Didi e Djalma Santos, como duas estátuas de ébano, se mantinham eretos, firmes”, contava a mesma revista, mencionada acima, segundo a qual os dois campeões, “pelo movimento convulsivo dos seus ombros, faziam extraordinário esforço para não mostrar os seus prantos”. Enquanto isso, Pelé não escondia nada. Abaixava a cabeça e chorava, copiosamente. Até o durão Zagallo  soluçava, convulsivamente.
Antes que os primeiros campeões mundiais fora de seu continente dessem a volta olímpica – carregando a bandeira nacional –, o Rei da Suécia, Gustavo Adolfo, desceu da tribuna de honra e foi ao gramado, saudá-los. Ao ver a bandeira brasileira, ele disse: “Honrastes vossa pátria e soubestes defendê-la, muito bem. Não só mereceis este triunfo, por haver sido os melhores, mas porque o vosso comportamento foi o de verdadeiros atletas. Em nome do meu povo eu vos digo que estamos contentes por vossa vitória e orgulhosos por termos sido vossos rivais” – um dia antes, a França vencera a Alemanha, por 6 x 3, em Goteborg, e ficara com a terceira colocação.
  Diferentes de outros sul-americanos, que adoravam erguer os braços para o alto e exibir a camisa, os jogadores brasileiros comemoraram, com pulos e abraços, dentro do gramado, sem histerias. Cavalheiros, os jogadores suecos abraçaram todos os atletas brasileiros, o que lhes valeu fortes aplausos.
Brasil campeão do Mundo: Gilmar; Djalma Santos, Bellini,Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo (foto). Suécia vice: Svensson; Bergmarck, Gustavsson e Axbom; Borjesson e Parling; Hamrim, Gunnar Gren, Simo, Liedholm e Skoglund. A final foi assitida por 49.737 pagantes e teve a arbitragem do francês Maurice Guigue.
TODOS OS RESULTADOS – Irlanda do Norte 1 x 0 Tcheco-Eslováquia; Alemanha 3 x 1 Argentina; Argentina 3 x 1 Irlanda do Norte; Tcheco-Eslováquia 2 x 2 Alemanha; Tcheco-Eslováquia 6 x 1 Argentina; Irlanda do Norte 2 x 1 Tcheco-Eslováquia; Iugoslávia 1 x 1 Escócia; França 7 x 3 Paraguai; Paraguai 3 x 2 Escócia; Iugoslávia 3 x 2 França; França 2 x 1 Escócia; Iugoslávia 3 x 3 Paraguai; Suécia 3 x 0 México; País de Gales 1 x 1 Hungria; México 1 x 1 País de Gales; Suécia 2 x 1 Hungria; Suécia 0 x 0 País de Gales; Hungria 4 x 0 México; País de Gales 2 x 1 Hungria; Brasil 3 x 0 Áustria; Inglaterra 2 x 2 União Soviética; União Soviética 2 x 0 Áustria; Brasil 0 x 0 Inglaterra; Áustria 2 x 2 Inglaterra; Brasil 2 x 0 União Soviética; União Soviética 1 x 0 Inglaterra; Alemanha 1 x 0 Iugoslávia; Suécia 2 x 0 União Soviética; França 4 x 0 Irlanda do Norte; Brasil 1 x 0 País de Gales; Suécia 3 x 1 Alemanha; Brasil 5 x 2 França; França 6 x 3 Alemanha e Brasil 5 x 2 Suécia (fotos).
CLASSIFICAÇÃO FINAL – 1 – BRASIL; 2 – Suécia; 3 – França; 4 – Alemanha; 5 – País de Gales; 6 – União Soviética; 7 – Irlanda do Norte; 8 – Iugoslávia; 9 – 10 – Tcheco-Eslováquia; 11 – Hungria; 12 – Inglaterra; 13 – Argentina; 14 – Escócia; 15 – Áustria e 16 – México.

O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO – 8

   Na Copa de 1962, Mané Garrincha só não driblou cachorro


  No dia 21 de março de 1960, o Chile foi sacudido por um violento terremoto, que atingiu 400 km do seu território, destruindo, desabrigando e matando. A FIFA chegou a trabalhar a possibilidade de transferir o Mundial para um outro país. Mas os chilenos cumpriram tudo o que se propuseram para aquela Copa e, em 30 de maio, a sua seleção pisava no gramado do Estádio Nacional, em Santiago, para abrir a competição, enfrentado e vencendo a Suíça, por 3 x 1.
   De volta à América do Sul, a Copa do Mundo do Chile seguiu a fórmula da anterior. De novo, só a classificação, na primeira fase, do time com melhor saldo de gols, em caso de empate. Foi a Copa da consagração de Mané Garrincha (foto), dentro de uma Seleção Brasileira quatro anos mais velha.
 Os titulares canarinhos eram os mesmos de 1958, exceto Orlando –  estava jogando pelo argentino Boca Juniors e, na época, só se convocava quem atuava no país –, e Bellini – o capitão na Suécia não agradara ao técnico Aymoré Moreira, nas vitórias sobre o Paraguai – 2 x 0, em 30.04.1961, e 3 x 2, em 03.05.61, pela Taça Osvaldo Cruz. Em 7 de maio, nos 2 x 1, sobre o Chile, pela Taça O´Higgens, Aymoré – ganhara a vaga de treinador devido aos problemas de saúde de Vicente Feola – entregou a zaga central a Mauro, que a segurou para o jogo seguinte – Brasil 1 x 0, em 11.05.1961. Abatido pela barração, Bellini refutou um jornalista que o chamou de capitão, dizendo que, na reserva, não sentia mais prazer em estar na Seleção. Pegou mal, muito mal. Mas ele, ainda, foi titular e capitão em dois jogos pela Taça Osvaldo Cruz, de 1962, nas duas goleadas – 6 x 0, em 21.04, e 4 x 0, em 24.04, sobre o Paraguai – e em um amistoso – 2 x 1, em 06.05, contra Portugal –, mas, dali por diante, só deu Mauro na zaga central. 
 Além da troca de Feola, por Aymoré, outra mudança foi na comissão técnica. Saiu o psicólogo João Carvalhaes que, em 58, considerara Garrincha maluco, entrando Ataíde Ribeiro em seu lugar.
ESTREIA NA ROTA DO BI – Foi em 30 de maio, no Estádio Sausalito, em Viña del Mar. Sem Bellini e Orlando, a dupla de zaga, era o mesmo time da final da Copa passada: Gylmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá Pelé e Zagallo. De início, nervoso e desentrosado, os brasileiros não deram pinta de futuros campeões, no primeiro tempo. Se bem que reclamaram um pênalti, claro, sofrido por Zózimo.
Veio o segundo tempo e, aos 11 minutos, Zagallo abriu o caminho para a nova conquista da Taça Jules Rimet. Foi num lance em que Garrincha se livrou de Najera e lançou Pelé, que deu um toque na bola, à meia-altura, para o Lobo (Mário Jorge Lobo Zagallo) morder, cabeceando: 1 x 0. Aos 27, Pelé dividiu um lance com três mexicanos e fez o seu único gol naquele Mundial: Brasil 2 x 0, sobre Carbajal; Del Muro,Villegas, Cardenas e Sepúlveda; Najera e Del Alguilla; Reyes, Hernandez, Jasso e Diaz. O jogo foi assistido por 10.484 pagantes e apitado pelo suiço Gottfried Dienst
  Em 2 de junho, no mesmo estádio, o Brasil ficou no 0 x 0, com a Tcheco-Eslováquia, e perdeu Pelé (foto), pelo restante da Copa, devido a uma dor na virilha, já sentida na partida contar os mexicanos. Era uma distensão muscular, que atingira o clímax quando o camisa 10, aos 25 minutos, chutara a bola contra um poste defendido pelo goleiro Schroiff.
  Antes daquele jogo, um incidente: Aymoré Moreira tentara devolver a zaga central à Bellini, tendo em vista que Mauro andara vacilão na estréia. Mauro reagiu ameaçando ir embora, caso fosse barrado, e o time terminou repetido no segundo jogo. Os tchecoseslovacos foram: Schroiff; Lala, Popluhar, Pluskal e Novakl; Stibranyi e Masopust; Schrerer, Kvanask, Adamec e Jelinek. O francês Pierre Schwint apitou a partida, assistida por 14.903 pagantes.
DOMANDO A FÚRIA - Era uma tarde de quarta-feira, 6 de junho de 1962, e os brasileiros iam ao estádio Sausalito, em Viña Del Mar, tentar a classificação à fase seguinte do Mundial-62, na última rodada das otiavas-de-final. Sem o contundido Pelé, o substituto Amarildo pisava no gramado, com os nervos à flor da pele. Treinados por Helenio Herrera, os espanhóis rolaram a bola bonito, com as suas principais peças se encaixando bem. A tensão nervosa levava o time canarinho a falhar muito. E não de outra: aos 35 minutos do primeiro tempo, Adelardo fez 1 x 0 para a “Fúria”.
 Muito reclamão contra arbitragens, em Copas anteriores, naquele jogo o Brasil se deu bem, Nilton Santos fez um penal sobre Collar, deu um passo à frente e o árbitro não marcou, além, de anular um gol, de bicicleta, de Peiró, alegando jogo perigoso. Isso todo quando os espanhois venciam, por 1 x 0
  No segundo tempo, os brasileiros se acalmaram e melhoraram o rendimento. Aos 27 minutos, Zagallo municiou Amarildo, seu colega de ataque botafoguense, e o “Possesso“ chutou, sem chance de defesa, para o goleiro espanhol Arquistain. Aos 41, quem lançou foi outro alvinegro, Garrincha. A bola saiu da linha de fundo e Amarildo subiu para cabecear, entre vários adversários. Era a virada canarinha, que provocou invasão de campo pela torcida verde-e-amarela, o que jamais havia ocorrido em uma Copa do Mundo.
 Vaga garantida nas quartas-de-final, Amarildo (foto) teve uma crise de choro. Gritava: “Vencemos! Vencemos!” Depois, ganhou um beijo, de Pelé, no vestiário. Afinal, a ausência do "Rei" criara um ambiente de muita expectativa para o jogo, além dar um bom “handicap” aos espanhois.
O chileno Sérgio Bustamante – auxiliado pelo uruguaio Estaben Mariñio, e o colombiano Suindheim – apitou a partida, que teve a Seleção Brasileira formada por: Gylmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nílton Santos; Zito e Didi; garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo. A Espanha alinhou: Arquistain; Rodriguez, Garcia, Vérges e Etchevarria; Perez e delardo; Collar, Puskas, Peiró e Gento. O chileno Ser5gio Bustamante apitou o jogo, assistido por 18.715 pgantes.
MANÉ E O CACHORRO PRETO - Em 10 de junho, numa tarde de domingo, Garrincha excedeu, nos 3 x 1 sobre os ingleses. Como a Seleção estava muito enrolada, a partir dos 31 minutos do primeiro tempo, ele resolveu acontecer, em Sausalito – o Brasil não saíra da sua sede, por ter sido o primeiro do se grupo, enquanto os britânicos foram os segundos no deles.
 O primeiro gol de Mané foi inacreditável. Durante uma cobrança de escanteio, ele saltou junto com o grandalhão Norman, que era 12 centímetros mais alto, e conseguiu cabecear a bola para a rede. Os ingleses empataram, aos 36 minutos, por intermédio de Hitchens, mas, por aquilo, pagaram caro. Aos 8 da etapa final, Didi se preparava para cobrar uma falta, pela direita, pertinho da grande área, quando o moleque Garrincha apareceu na sua frente e a cobrou. O goleiro Springett rebateu a bola para a frente, na cabeça de Vavá, que não o perdoou. Aos 14, Garrincha viu o camisa um inglês adiantado e chutou, quase da intermediária, por cobertura. Golão!
 Gol de cabeça, por cobertura, cobrança de falta. Normalmente, o Mané não fazia nada daquilo. De normal mesmo só ele dizer que não tinha medo do tal de “Fralda” , se referindo a Flowers, o lateral que iria marcá-lo e prometia sumir com ele. Naquele dia, o "indomável" Garrincha só não conseguiu "domar" um cachorrinho preto (foto) que invadiu o gramado, antecipando-se às diabruras que ele iria aprontar. Depois de driblar o “Demônio da Copa”, o cãozinho só foi capturado quando Jimmy Greaves ajoelhou-se à sua frente e os dois ficaram se namorando. Num bote rápido, o inglês fez o que Mané Garrincha não conseguira. 
CONTRA OS DONOS DA CASA – Em 1950, na véspera da final da Copa, os atletas brasileiros foram submetidos a uma maratona de discursos cansativos; em 54, desconhecia-se o regulamento; em 58, fez-se um plano e a coisa funcionou – taça em casa. Mas não foi que, em 62, uma nova bagunça pintou?
  No dia 19 de maio, após o último treino, no Rio de Janeiro, os jogadores tiveram de ir se despedir do governador estadual, Carlos Lacerda, e, depois, visitar o embaixador chileno no Brasil, Ruiz Solar. No dia seguinte, pela manhã, viagem para Brasília. As despedidas, daquela vez, foram do presidente da república, João Goulart, que ofereceu um almoço a todo o grupo. Próxima escala: aeroporto da paulista Campinas, onde as despedidas foram, por telefone, do treinador Vicente Feola, proibido, por seu médico, de viajar.
  Após nove horas e meia de peregrinações, a Seleção Brasileira embarcou, do aeroporto de Viracopos, no mesmo avião da Panair que a levara, quatro anos antes, à Suécia. O piloto, também, era o mesmo, o capitão Guilherme Bungner, que deixara seu cavanhaque crescer, para ficar com a mesma cara do “vôo da vitória”. Em território chileno, o time hospedou-se na pousada El Retiro, em Quilpués, a Ciudad del Sol, em chalés, próximos de Viña del Mar. Com tantas despedidas e cansaço, no primeiro coletivo com bola, o time reserva perdeu, para o Wanderers, equipe local, por 1 x 0, em 45 minutos de jogo-treino.
 Ainda bem que o ensaio de bagunça ficou por ali. No último coletivo, em 27 de junho, os reservas mandaram 5 x 0 no Everton, outro time local, no segundo tempo, após os titulares já terem feito outros quatro gols, na etapa inicial. E vieram as vitórias sobre o México (2 x ), Espanha (2 x 1) e empate (0 x 0), com a Tcheco-Eslováquia, na primeira fase, além dos 3 x 1 sobre os ingleses, nas quartas-de-final. A parada, agora, era pesada, contra o Chile (foto), o dono da festa.
MANÉ EXPULSO – Com mais de 10 mil torcedores acima do que cdomportava o Estádio Nacional de Santiago – 65 mil pessoas –, o Brasil foi para as semifinais, contra os chilenos, em 13 de junho. O time havia saído, de Viña del Mar, de trem, e comido só sanduíche, para evitar supressas gástricas. Enfrentou, ainda, a péssima arbitragem do peruano Arturo Yamazaki.
  Dificuldades à parte, a Seleção mexeu no placar, com 9 minutos. Zagallo chutou, a bola bateu em Amarildo e em Vavá, sobrando para Garrincha que pegou, de canhota. Aquele era outra novidade, pois o “O Torto” nunca chutava de esquerda. Aos 32, Garrincha aprontou, de novo. Zagallo cobrou escanteio, e ele subiu no meio da zaga, para cabecear e marcar. Aos 42, o chileno Toro diminuiu, mas, aos 2 minutos da etapa final, Mané cobrou escanteio, Vavá cabeceou e o Brasil voltou à rede. Aos 32, Leonel Sanchez, cobrando pênalti, voltou a diminuiu. Aos 32, porém, Vavá fechou o placar, finalizando cruzamento de Zagallo.
  Aos 35, Yamazaki expulsou de campo o chileno Landa, por jogo violento e ofensas ao árbitro. Aos 38, mandou Mané para fora, acusado, pelo auxiliar uruguaio Esteban Marino, de agredir o lateral Rojas. No meio da confusão, quando saía de campo, levou uma pedrada, na cabeça, que teve de ser enfaixada.
 Os fatos que se seguiram geraram uma das maiores histórias do futebol brasileiro. No eu relatório sobre a partida, Arturo Yamazaki relatava não ter v isto o pontapé de Mané e Rojas. Falava da pressão dos chilenos e da “deduração” de Esteban Marino. Só que este jamais fora encontrado para depor no tribunal de justiça da Copa e, por falta de provas, absolveram Garrincha para jogar a final. Diz a lenda a CBD, auxiliada pelo árbitro paulista João Etzel Filho, teriam, no hotel onde Marino se hospedara, dado um jeito de ele ir embora do Chile, sem deixar vestígios.
Brasil que venceu o Chile: Gylmar: Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nílton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vvá, Amarildo e Zagallo. Os chilenos foram: Escutti; Eyzaguirre Rodriguez, Contreras e Rojas; Sanchez e Ramirez; Toro, Landa, Tobar e Leonel Sanchez. Público oficial de 76.594 pagantes.
BOLA NOSSA - Contra a Espanha, o árbitro chileno Sergio Bustamante estava longe do lance e não vira Nilton Santos fazer pênalti sobre Adelardo. Diante do Chile, no episódio envolvendo Mané Garrincha, o peruano Arturo Yamazaki colocou a responsabilidade da expulsão do “Torto” sobre o auxiliar uruguaio Esteban Marino, que desaparecera após o jogo. E a Seleção foi chegando. Em 17 de junho, o Brasil estava na final, contra a Tcheco-Eslováquia, com uma defesa carregando a média de 32 anos de idade – Nílton Santos estava com 37. Sem Pelé, que tinha o músculo adutor da perna esquerda lesionado, e com Garrincha ardendo a 38 graus de febre, os canarinhos sofreram um gol, aos 15 minutos, marcado por Masopust. Dois minutos depois, Amarildo, de 21 anos, o substituto de Pelé, empatou, e o primeiro tempo ficou por aquilo. Na etapa final, Zito (foto), aos 23, e Vavá, aos 32, garantiram o bi, com 3 x 1, em partida que o melhor goleiro daquele Mundial, Schoroiff, falhara em dois gols brasileiros. O que importava, no entanto, era que o Brasil conquistara o título bicampeão mundial de futebol, com tgaça entregue ao capitão Mauro Ramos de Oliveira, pelo presidente da FIFA, o inglês Stanley Rous.
O jogo do bi foi assistido por 73.856 pagantes e apitado soviético Nikolai Latichev. O Brasil bisou a taça com: Gylmar (foto): Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos: Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo. Os tchecos: Schroiff; Lala, Popluhar e Novak; Pluskal e Masopust; Pospichal, Scherer, Kadraba, Kvasnak e Jelinek.

TODOS OS RESULTADOS: Uruguai 2 x 1 Colômbia; União Soviética 2 x 0 Iugoslávia; Iugoslávia 3 x 1 Uruguai; União Soviética x 4 Colômbia; União Soviética 2 x 1 Uruguai; Iugoslávia 5 x 0 Colômbia; Chile 3 x 1 Suíça; Itália 0 x 0 Alemanha; Chile 2 x 0 Itália; Alemanha 2 x 1 Suíça; Alemanha 2 x 0 Chile; Itália 3 x 0 Suíça; Brasil 2 x 0 México; Tcheco-Eslováquia 1 x 0 Espanha; Brasil 0 x 0 Tcheco-Eslováquia; Espanha 1 x 0 México; Brasil 2 x 1 Espanha; México 3 x 1 Tcheco-Eslováquia; Argentina 1 x 0 Bulgária; Hungria 2 x 1 Inglaterra; Inglaterra 3 x 1 Argentina; Hungria 6 x 1 Bulgária; Hungria 0 x 0 Argentina; Bulgária 0 x 0 Inglaterra; Chile 2 x 1 União Soviética; Iugoslávia 1 x 0 Alemanha; Brasil 3 x 1 Inglaterra; Tcheco-Eslováquia 1 x 0 Hungria; Brasil 4 x 2 Chile; Tcheco-Eslováquia 3 x 1 Iugoslávia; Chile 1 x 0 Iugoslávia e Brasil 3 x 1 Tcheco-Eslováquia. CLASSIFICAÇÃO FINAL – 1 – BRASIL; 2 –Tcheco-Eslováquia; 3 – Chile; 4 – Iugoslávia; 5 – União Soviética; 6 – Hungria; 7 – Alemanha; 8 – Inglaterra; 9 – Itália; 10 – Argentina; 11 – México; 12 – Espanha; 13 – Uruguai; 14 – Colômbia; 15 – Bulgária e 16 – Suíça.

O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO - 9

Em 1966, Brasil não pegou embalo na terra dos Beatles


Este foi um Mundial para os brasileiros esquecerem. De saída, convocaram 45 atletas, para agradar aos eleitores do presidente da CBD, João Havelange, e formaram quatro equipes – grená (titular), branca (B), verde e azul – que treinaram nas mineiras Lambari e Caxambu, e nas então cidades fluminenses de Teresópolis, Tres Rios e Niterói. Em seguida, convocaram Amarildo e Jair da Costa, que jogavam na Itália, sendo que o segundo estava contundido e nem pôde se apresentar.
 No meio das bagunças, o preparador físico Paulo Amaral pressionava para ser o auxiliar técnico de Vicente Feola e passava o seu cargo ao judoca Rudolf Hermanny, do qual os atletas cobravam fôlego para além de 75 minutos de partida. O médico Hílton Gosling via, logo, que a artrose num dos joelhos de Garrincha não lhe permitiria assustar nenhum marcador, mas a convocação do Mané era imposição de Havelange, mesmo com “O Torto” não tendo jogado pela Seleção, entre julho de 1962 e junho de 65, devido contusões ou conturbações em sua vida particular.
 Ainda no rol das bagunças, o veterano zagueiro Bellini impunha, no grito, a sua ida à Inglaterra, tirando a chance do palmeirense Djalma Dias, que estava bem melhor, enquanto o grande lateral-direito do país da época, o santista Carlos Alberto Torres, perdia vaga para Djalma Santos, de 37 anos, e Fidélis, mediano jogador do Bangu, o time do supervisor Carlos Nascimento. Mais? Em17 de junho, a Seleção embarcava para a Inglaterra, num Boeing 707 da Varig, levando 27 jogadores, quando só poderia inscrever 22 no Mundial. A explicação era a de que ainda haveriam seis amistosos – cinco vitórias e um empate. Enfim, o tri era dado como certo. Principalmente, porque a partir de 1º de maio, quando iniciara a preparação, com jogos-treinos, no Maracanã – 2 x 0 sobre a Seleção Gaúcha e 5 x 0 sobre o Atlético-MG, usando dois times – haviam sido obtidas oito vitórias e dois empates, em amistosos, contra seleções nacionais.
  Viera, então, a Copa. Brigado com Paulo Machado de Carvalho – chefe das delegações do bi –, por discordâncias quanto ao treinador, o presidente da CBD, João Havelange, assumiu o comando do grupo que viajou, para ser acusado de omisso e de só fazer política. Em 12 de julho, após tantos treinos, o treinador Vicente Feola – recuperara o cargo que em 1962 ficara com Aymoré Moreira – não tinha um time definido. O adversário era a Bulgária, uma equipe fraca, que viu os canarinhos, fisicamente, piores do que os seus. Fechou-se toda e desceu a botina em Pelé, que foi poupado no segundo jogo, para ter melhores condições de enfrentar os portugueses.
  Contra os búlgaros, o Brasil usou cinco jogadores ainda da Copa de 1858 – Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Garrincha e Pelé – e escalou Jairzinho na ponta-esquerda, onde ele jamais atuara. Venceu, por 2 x 0, com gols de Pelé, aos 15 minutos do primeiro tempo – primeiro tento daquele Mundial –, e de Garrincha (foto), aos 18 da etapa complementar, ambos em cobranças de falta, mas com a equipe apresentando uma atuação nada empolgante. O jogo, que marcou a última apresentação conjunta de Pelé e Garrincha na Seleção – 31 jogos, em oito anos, sem derrotas – teve 47 mil pagantes e foi no Goodson Park, apitado pelo alemão Kurt Tschencher.
Os canarinhos foram: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Denílson e Lima; Garrincha, Alcindo, Pelé e Jairzinho. Bulgária: Naidenov; Shalamanova, Penev, Kutzov e Gaganelov; Jetchev e Kitov; Dermendjev, Asparukhov, Yakimov e Kolev.
FIM DE LINHA – Sem o comandante Guilherme Bungner, que não fora requisitado para a viagem à Inglaterra, a Seleção Brasileira começou a sair da Copa no segundo jogo. Em 15 de julho, no Goodson Park, os húngaros repetiram 1954 e voltaram a vencer o Brasil, em um Mundial. Desta nova vez, por 3 x 1 – anteriormente, por 4 x 2 –, após teres sido goleados, por 5 x 3, em novembro de 1965, no Pacaembu, por uma seleção formada só por jogadores de clubes paulistas, que chegaram a abrir 5 x 0 de vantagem.
   Em Liverpool, porém, foi bem diferente. Trocando dois atletas – o poupado Pelé, por Tostão, e o sacado Denílson, por Gérson, recuperado de lesão –, Feola recuou Lima. Com dois minutos de jogo, Bene desmoralizou Altair e Bellini, e abriu o placar. Tostão empatou, aos 14. No segundo tempo, aos 9, Farkas complementou, de sem-pulo, um cruzamento, para colocar a Hungria, de novo, na frente. Por fim, aos 19, Paulo Henrique fez pênalti sobre Bene. Meszoly cobrou e fechou a conta. Mas ainda teve um gol húngaro, legal, marcado por Farkas e anulado pelo bandeirinha peruano Arturo Yamazaki, alegando um impedimento.
 Coincidentemente, desde a derrota de 1954, para os húngaros, que o Brasil não perdia em Copas do Mundo. Eram 12 anos, ou 13 jogos invictos. E a última partida de Garrincha pela Seleção. Diante de 51.387 presentes, o Brasil deu vexame com: Gilmar; Djalma Santo, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Lima e Gerson; Garrincha, Alcindo (foto), Tostão e Jairzinho. Hungria: Gelei; Kaposzta, Matrai, Meszoly e Szepesi; Mathesz, Sipos e Rakosi; Bene, Albert e Farkas. O inglês Kenneth Dagnakl apitou a partida.
A GLÓRIA DE PORTUGAL – Treinada pelo brasileiro Oto Glória, a Seleção de Portugal, também, fez 3 x 1 sobre o Brasil, no final da participação canarinha no Mundial-66. Foi em 19 de julho, no mesmo Goodson Park. Para o jogo, Vicente Feola trocara nove jogadores. Dos que haviam encarado a Hungria, só ficaram Lima e Jairzinho, este passando, da ponta esquerda, para a direita. Para Oto Glória, o Brasil tinha uma de suas piores seleções. E não deu outra. Aos 15 minutos, o grande goleiro botafoguense Manga falhou, clamorosamente, e Simões fez 1 x 0. Aos 26, voltou a falhar e Eusébio não o perdoou. Aos 28 do segundo tempo, Rildo diminuiu, mas, aos 40, Eusébio encerrou o castigo aos brasileiros.
  Para os canarinhos, restaram as reclamações contra o árbitro inglês George McCabe, que deixara o zagueiro português Morais aplicar duas entradas violentas sobre Pelé, aos 31 minutos da primeira etapa, anulando-o para o restante do jogo. O “Rei” só voltou a campo, aos quatro minutos do segundo tempo, depois de passar por uma infiltração, com um dos joelhos enfaixados, para ficar só capengando. Segundo as anotações da partida, Pelé só sofrer três faltas, antes de ser atingido por Morais.
  A Seleção Brasileira (foto) foi: Manga; Fidélis, Brito, Orlando e Rildo: Denílson e Lima; Jairzinho, Silva, Pelé e Paraná. Portugal: Pereira; Batista, Morais, Vicente e Hilário; Graça e Coluna; José Augusto, Eusébio, Torres e Simões. O jogo foi assistido por 58.479 pessoas.
INGLESES LEVARAM A TAÇA - Na fase inicial, os ingleses não saíram de Londres. Empataram com o Uruguai, por 0 x 0, e venceram o México e a França, pelo mesmo placar: 2 x 0. Nas quartas-de-final, eliminaram os argentinos, por 1 x 0, novamente em Wembley, num jogo muito tumultuado, em que os sul-americanos agrediram o árbitro alemão Rudolf Kreitlein.
     Nas semifinais, a Inglaterra, sempre jogando em Londres, despachou Portugal, com 2 x 1. Os lusitanos estavam cheios de moral, por terem virado, para 5 x 3, um jogo em que chegaram a estar perdendo, por 0 x 3, para a Coréia do Norte. Esta, por sinal, aprontara a maior zebra do Mundial, nas fase preliminar, vencendo (e eliminando) a Itália, por 1 x 0. Na outra semifinal, a Alemanha fez 2 x 1 na União Soviética.
   Em 30 de julho, em Wembley, as seleções da Inglaterra e da Alemanha saíam para a decisão da Copa. O público era estimado em 100 mil pessoas. Doze minutos após o árbitro suíço Gottfried Dienst mandar rolar a bola, o alemão Haller calou a torcida inglesa. Seis minutos depois, Hurst empatou, e ficou assim o primeiro tempo. No segundo, os 33, Martin Peter colocou os anfitriões na frente, mas, aos 5, Weber voltou a deixar a final empatada. Foi preciso uma prorrogação.
  Dois gols de Geoffrey Hurst, aos 11 e aos 30 minutos, deixaram os ingleses campões, com um placar acumulado de 4 x 2. Treinados por Alf Ramsey, um ex-lateral mediano, marcador rigoroso, que havia disputado a Copa de 1950, os organizadores do moderno futebol ainda tiveram em Bobby Charlton o melhor jogador daquele Mundial. O artilheiro foi o português Eusébio, com nove tentos.
  A Inglaterra jogou a final com: Banks; Cohen, Jack Charlton, Bobby Moore e Wilson; Nobby Stiles e Bobby Charlton; Alan kBall, Hurst, Roger Hunt e Peters. Alemanha: Tillkowsky; Hottges, Schulz, Weber e Schinellinger; Beckenbauer, Halller e Overath; Seeler, Held e Emmerich.
TODOS OS RESULTADOS: Inglaterra 0 x 0 Uruguai; França 1 x 1 México; Uruguai 2 x 1 França; Inglaterra 2 x 0 México; México 0 x 0 Uruguai; Inglaterra 2 x 0 França; Alemanha 5 x 0 Suíça; Argentina 2 x 1 Espanha; Espanha 2 x 1 Suíça; Alemanha 0 x 0 Argentina; Argentina 2 x 0 Suíça; Alemanha 2 x 1 Espanha; Brasil 2 x 0 Bulgária; Portugal 3 x 1 Hungria; Hungria 3 x 1 Brasil; Portugal 3 x 0 Bulgária; Portugal 3 x 1 Brasil; Hungria 3 x 1 Bulgária; União Soviética 3 x 0 Coreia do Norte; Itália 2 x 0 Chile; Chile 1 x 1 Coreia do Norte; União Soviética 1 x 0 Itália; Coréia do Norte 1 x 0 Itália; União Soviética 2 x 1 Chile; Inglaterra 1 x 0 Argentina; Alemanha 4 x 0 Uruguai; Portugal 5 x 3 Corei do Norte; União Soviética 2 x 1 Hungria; Alemanha 2 x 1 União Soviética; Inglaterra 2 x 1 Portugal; Portugal 2 x 1 União Soviética e Inglaterra 4 x 2 Alemanha.
CLASSÍFICAÇÃO FINAL – 1 – Inglaterra; 2 – Alemanha; 3 – Portugal; 4 – União Soviética; 5 – Argentina; 6 – Hungria; 7 – Uruguai; 8 – Coréia do Norte; 9 – Itália; 10 – Espanha; 11 – BRASIL; 12 – México; 13 – França; 14 – Chile; 15 – Bulgária e 16 – Suíça.

O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO – 10

                     Caneco, em 1970, é do Brasil, em definitivo.



  Com seis vitórias nas Eliminatórias e mais seis nas disputas no México (foto), a Seleção Brasileira ficou tri. Trilegal! De quebra, levou a consideração de melhor equipe nacional de todos os tempos.
 Para o Mundial-70, foram introduzidos os cartões de advertência – sugeridos pelo chefe da comissão de arbitragem da FIFA, o inglês Ken Aston –, porque os árbitros não poderiam falar todas as línguas –, as substituições de um goleiro e de mais dois jogadores – motivado pela “caçada” do português Morais a Pelé, na Copa anterior – e concedida uma vaga aos africanos.
 O então zagueiro soviético Lovchev, aos 34 minutos do primeiro tempo, por fazer falta, sobre o mexicano Valdívia, inaugurou os cartões – Tostão, no jogo contra a Tcheco-Eslováquia, aos 26 minutos do primeiro tempo, foi o primeiro brasileiro a recebê-lo –, enquanto outro defensor soviético, Shesternev, tornou-sei o primeiro substituído – por Puzach.
 Além de um calor de 32 graus, da altitude de 2.240 metros acima do nível do mar – Toluca, a cidade mais alta, estava a 2.576 m –, a Copa do México incluiu, ainda, decepções, um escândalo e problemas políticos. No primeiro caso, a eliminação da Argentina, pelo Peru, dentro de Buenos Aires, e, no segundo, a prisão do capitão do “english team”, Bobby Moore, acusado de roubo em uma joalheria de hotel. Quanto às rusgas políticas, aconteceram durante as Eliminatórias. Os africanos negaram-se a enfrentar Zimbabwe (chamava-se Rodésia), por acusações de racismo, enquanto a Coréia do Norte recusou-se a encarar Israel. Além disso, por causa de problemas fronteiriços, a vaga disputada por Honduras e El Salvador (o classificado), serviu de pretexto para uma guerra entre os dois países.
 PRIMEIROS PASSOS – Após o estrondoso fracasso na Copa-66, a Seleção Brasileira só voltou a campo, em 21 de junho de 1967, em Porto Alegre, comandada, novamente, pelo técnico Aymoré Moreira e perdendo, para um combinado Grêmio/Internacional, por 2 x 1. Em setembro, representado por uma seleção carioca à base do Botafogo e dirigida por Zagallo, venceu o Chile, por 1 x 0, no Maracanã.
        Em 9 e 12 junho de 1968, respectivamente, a Seleção voltou a se reunir, para a Copa Rio Branco, batendo os uruguaios, fora, 2 x 0, e em casa, 4 x 0. Dias depois, excursionou à Europa – venceu Polônia (6 x 3), Iugoslávia (2 x 0) e Portugal (2 x 0) e perdeu para Alemanha (1 x 2) e Tcheco-Eslováquia (2 x 3) – e ao México e ao Peru, perdendo dos primeiros (1 x 2) e vencendo os peruanos, por 4 x 3 e 4 x 0. Mas o melhor do ano foi a volta de Pelé, que não desejava irr à Copa-70 e, há dois anos, não vestia a camisa canarinha. O “Rei” defendeu uma seleção paulista, dirigida pelo técnico do Santos, Antoninho, em 25 e 28 de julho, vencendo o Paraguai, 4 x 0, e caindo, no segundo jogo, fora,  0 x 1, pela Taça Osvaldo Cruz.
       Seguiram-se mais oito amistosos, até o final do ano – em dois, a Seleção foi representada por jogadores mineiros –, com apenas uma derrota e dois empates. Mesmo assim, o cartel derrubou Aymoré, substituído pelo radialista João Saldanha. Este, em três amistosos – em 7, 9 e 12 de junho – venceu o Peru (2 x 1 e 3 x 2) e a Inglaterra (2 x 1), fazendo nascer as “Feras do Saldanha”, para as Eliminatórias.
 Antes do Mundial, porém, o comunista Saldanha caiu sob duas versões. Uma aludia à sua pretensão de barrar Pelé, por considerá-lo míope, e ter perdido, para os argentinos, e empatado um jogo-treino, com o Bangu; a outra falava de desagrados ao regime militar. Inclusive, ficou famosa a frase atribuída ao treinador, que teria dito, a propósito da simpatia do presidente da república, o general Garrastazu Medicis, pelo centroavante Dario, do Atlético-MG: “O presidente escala o seu ministério e eu a minha seleção”.
 SELEÇÃO MILITAR – Demitido Saldanha, o substituto foi Mário Jorge Lobo Zagallo, que vinha ganhando tudo, com o Botafogo, mas teria pouco mais de dois meses para trabalhar. Na sua primeira convocação, ele chamou Dario e passou a contar com uma comissão técnica oriunda da Escola de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro: o major José Bonetti (supervisor), os capitães Cláudio Coutinho e Kleber Camerino (preparadores físicos) e o subtenente Raul Carlesso (treinador de goleiros).
 Além dos quatro militares citados acima, a Seleção foi para a Copa levando o brigadeiro Jerônimo Bastos, assessorado pelo major Roberto Guarany, na chefia da delegação. A militarização canarinha, quando nada, serviu para dar ao time disciplina, organização e o melhor preparo físico do Mundial, deixando os adversários com a língua de fora.
 A abertura da Copa-70 começou às 11h20 mexicanas, no Estádio Azteca, da Ciudad de México. Ao meio-dia, anfitriões e soviéticos rolaram a bola Telstar, de 32 gomos, fabricada pela Adidas, em preto e branco, inovação que substituía as pelotas marrons, de 16 gomos. Mas a “maricota” não beijou o filó, ainda.
 BRASIL BOM DE BOLA – A Seleção Brasileira estreou em 3 de junho, goleando a Tcheco-Eslováquia, por 4 x 1, mas levando um susto, com 12 minutos de Mundial. Sua defesa errou um passe, Petras ganhou bola, invadiu a área, pela esquerda, chutou, indefensável, para o goleiro Félix, e saiu comemorando com persignações. Chegou a ajoelhar-se no gramado. Só faltou celebrar missa. Doze minutos depois, Rivellino (foto/C), com uma “Patada Atômica”, empatou, cobrando falta: 1 x 1, no o primeiro tempo.
 Na etapa final, a Seleção passou à frente do marcador, aos 15 minutos, com um gol espetacular, de Pelé. O meia Gérson fez um lançamento, a 35 metros de distância, pelo alto, o “Camisa 10” subiu, matou a bola no peito e finalizou, marcando um dos tentos mais bonitos da Copa. Aos 19, Jairzinho, após novo lançamento do “Canhotinha de Ouro”, aplicou um chapeu no goleiro Viktor e aumentou a contagem. Aos, 38, Jair, que ganhou o apelido de “Furacão da Copa”, fez outro gol de cinema. Saiu da intermediária, com bola dominada, passou, pela direita, por Hagara, Horvat, e, novamente, Hagara, e chutou no canto direito do goleiro: 4 x 1.
Além da goleada, o jogo teve outro lance emocionante. Pelé (foto) viu Viktor adiantado e tentou surpreendê-lo. A bola voou 55 metros, com o camisa 1 correndo atrás dela, que fez um curva e saiu à esquerda das balizas, distante cerca de meio metro.
 O Brasil goleou com: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Wilson Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson (Paulo César “Caju”; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. Tchcco-Eslováquia: Viktor; Dobias, Migas, Horvat e Hagara; Hrdlicka (Kvsnak), Kuna e Fantisek Vesely (Bohumil Vesely); Petras, Adfamec e Jokl. O jogo, no Estádio Jalisco, em Guadalajara, foi assistido por 52.890 presentes, com arbitragem do uruguaio Ramón Barreto.
TOSTÃO DESMONTA – Quatro dias após a estréia, o Brasil fez o seu jogo mais duro da Copa: 1 x 0 sobre a Inglaterra, que começou batendo muito. Foi preciso o capitão Carlos Alberto pegar Lee, de jeito, para os ingleses se acalmarem.  Diante de 57.107 almas, novamente em Jalisco, o jogo era duro. Aos 11 minutos, Jairzinho cruzou, da linha de fundo, Pelé cabeceou, para o chão, e Gordon Banks fez a grande defesa daquele Mundial. Voou na bola e aplicou-lhe um gole, mandando-a por cima da trave. Defesaça!
O gol da vitória canarinha saiu, aos 14 minutos do segundo tempo. Tostão, pela esquerda, aplicou três dribles e cruzou, para o meio da área inglesa. Pelé, dominou a bola e fez um toquinho, à sua direita, para Jairzinho  balançar a rede.
O time brasileiro foi: Félix: Carlos Alberto, Brito, Piazza (Fontana) e Everaldo; Clodoaldo e Rivellino; Jairzinho, Tostão (Roberto Miranda), Pelé e Paulo César “Caju”. A Inglaterra, ainda treinada por Alf Ramsey, jogou com: Banks; Wright, Labone, Bobby Morre e Cooper; Mullery e Bobby Charlton (Astle); Ball, Petyers, Lee (Bell) e Hurst. O israelense Abraham Klein apitou a partida.
 Em 10 de junho, a Seleção confirmou a classificação à próxima fase, com 3 x 2 sobre a Romênia, no mesmo local das duas partidas anteriores. Os romenos se fecharam muito, mas em dois minutos – aos 20 e aos 22 – Pelé e Jairzinho abriram a porteira. Dumitrache descontou, ao33. Na etapa final, Pelé fez mais um, aos 21, numa bonita jogada de Tostão, que lhe fez um passe, de calcanhar, Dembrovski fechou o placar, aos 38, em jogo assistido por 50 mil 805 pessoas e apitado pelo austríaco Ferdinand Marschall.
O Brasil foi: Félix; Carlos Alberto, Brito, Fontana e Everaldo (Marco Antonio); Clodoaldo (Edu) e Piazza; Jairzinho, Tostão, Pelé e Paulo César “Caju”. Romênia: Adamache (Raducanu); Satmareanu, Dinu, Lupescu e Mocanu; Dimitru, Neagu e Nunweiller; Dembrovski (Tatru), Dumitrache (Tataru) e Lucescu.
Como primeiro do Grupo 3, o Brasil foi encarar, ainda em Guadalajara, o Peru, segundo do Grupo 4 e treinado por Didi, campeão mundial de 1958. O jogo começou às12 horas do domingo 14 de junho, na presença de 54.230 assistentes.
 Aos 11 minutos, Tostão lançou Rivellino, que mandou uma patada no canto esquerdo do gol peruano. Aos 15, Tostão cobrou escanteio, para Rivellino, recebeu a bola de volta e bateu para o gol. A bola passou entre trave e o goleiro Rubiño. Ao 38, Gallardo, que havia jogado pelo Palmeiras, chutou, quase sem ângulo, pela esquerda, e Félix falhou. Ficou assim o primeiro temp. No segundo, aos 7 minutos, Pelé chutou, acertou Chumpitaz, a bola enganou o goleiro e Tostão entrou para marcar. Ao 24, foi a vez de a bola bater em Marco Antônio e sobrar par Cubillas diminuir, para os peruanos. Finalmente, aos 31, Rivellino lançou Jairzinho, que driblou o goleiro antes de finalizar o placar em 4 x 2.
Brasil: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Marco Antônio; Clodoaldo e Gérson (Paulo César); Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. Peru: Rubiños; Campos, Fernndez, Chumpitaz e Fuentes; Mifflin, Baylón (Sotil) e Cubillas; Challe, Perico Leon (Reyes) e Gallardo. O árbitro foi o belga Vital Loraux.
VINGANÇA CONTRA A CELESTE – O dia 17 de junho, uma quarta-feira, viera para lavar as alma dos brasileiros, que não se esqueciam do 16 de julho de 1950, quando os uruguaios nos tiraram a taça do mundo, dentro do Maracanã. Com 3 x 1, o Brasil passou pelas semifinais e foi atrás do caneco. O jogo, no Estádio Jalisco, teve 51.260 expectadores e começou às 16h locais. Daquela vez, quem abriu o placar foram eles. Cubilla, aos 18 minutos, colocou o “fantasma” em campo, por culpa de erros da nossa defesa. Ainda bem que no último instante da primeira etapa, Clodoaldo empatou. Tabelou, com Tostão, e matou. 45, cravados. Na fase final, Jairzinho, aos 31, e Rivellino, aos 44, completaram o serviço. O gol do “Furacão” surgiu de uma esticada de Tostão, enquanto o de Riva foi num contraataque, lançado por Pelé.
A partida teve dois lances emocionantíssimos. Ao 21 minutos do primeiro tempo, Marzukiewcz cobrou tiro de meta. Pelé estava atento e emendou, de primeira, da intermediária, colocando o camisa 1 para trabalhar. No finalzinho da partida, lançado por Tostão, Pelé aplicou um drible de corpo no goleiro uruguaio, tipo bola para um lado, jogador para o outro, mas errou o chute. Mesmo assim, foi um grande lance.
 A Seleção Brasileira vingador foi: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. O treinador Juan Hohberg escalou o Uruguai com: Mazurkiewcz; Ubiña, Ancheta, Matosas e Mujica; Montero Castillo, Cortes e Maneiro (Esparrago); Cubilla, Fuentes e Morales. O árbitro foi o espanhol José Ortiz de Mendibil.
RIMET EM DEFINITIIVO – A final, contra a Itália, começou ao meio-dia mexicano. Naquele 21 de junho, um domingo, a mulher alada em uma caneca dourada passou a ser, definitivamente, do Brasil, o primeiro a conquistá-la por três Mundiais. Os canarinhos mandaram 4 x 1 nos italianos, que haviam chegado à final despachando os alemães, por 4 x 3, numa prorrogação, após 1 x 1 no tempo normal – na disputa pelo terceiro lugar, a Alemanha venceu o Uruguai, por 1 x 0.
 A Seleção abriu o placar, aos 18 minutos, numa cabeçada de Pelé, complementando cruzamento de Tostão. Era o 100º gol brasileiro em Copas do Mundo. Os italianos empataram, aos 37, com Bonisegna, aproveitando-se da tentativa de Clodoaldo, de fazer uma jogada de letra. Jairzinho, aos 24 do segundo tempo, e Carlos Alberto (foto/D), aos 42, completaram a goleada. Minutos depois, o mesmo Carlos Alberto Torres repetiria, diante do presidente do México, Gustavo Dias Ordaz, o gesto iniciado por Bellini, diante do Rei Gustavo Adolfo, na Suécia, em 1958, e continuado por Mauro, em 62, no Chile.
 Até o Brasil chegar ao tri, a Copa do Mundo havia realizado, em quatro décadas, 231 jogos, com 846 gols marcados. O alemão Gerd Muller foi o artilheiro da edição-40, marcando 10 vezes. Pelo Brasil, Jairzinho foi o principal goleador, com 7 bolas nas redes. Compareceu ao filó em todos os jogos.
O Brasil tri foi: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everldo; Clodoaldo e Gérson: Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. A Azurra, treinada por Ferrucio Valcareggi, alinhou: Albertosi; Burgnich, Cera, Rosato e Fachetti; Bertini (Juliano), Mazzola e De Sisti; Domenghini, Bonisegna (Rivera) e Didi Riva. O árbitro foi o então alemão oriental Rudolf Glockner e o público de 104.412, no Estádio Azteca, da Cidade do México.
TODOS OS RESULTADOS: México 0 x 0 União Soviética; Bélgica 3 x 0 El Salvador; União Soviética 4 x 1 Bélgica; México 4 x 0 El Salvador; União Soviética 2 x 0 El Salvador; México 1 x 0 Bélgica; Itália 1 x 0 Suécia; Itália 0 x 0 Uruguai; Suécia 1 x 1 Israel; Suécia 1 x 0 Uruguai; Itália 0 x 0 Israel; Inglaterra 1 x 0 Romênia; Brasil 4 x 1 Tcheco-Eslováquia; Romênia 2 x 1 Tcheco-Eslováquia; Brasil 1 x 0 Inglaterra; Brasil 3 x 2 Romênia; Inglaterra 1 x 0 Tcheco-Eslováquia; Peru 3 x 2 Bulgária; Alemanh 2 x 1 Marrocos; Peru 3 x 0 Marrocos; Alemanha 5 x 2 Bulgária; Bulgária 1 x 1 Marrocos; Itália 4 x 1 México; Uruguai 1 x 0 União Soviética; Alemanha 3 x 2 Inglaterra; Brasil 4 x 2 Peru; Brasil 3 x 1 Uruguai; Itália 4 x 3 Alemanha; Alemanha 1 x 0 Uruguaia e Brasil 4 x 1 Itália.
CLSSIFICAÇÃO FINAL – 1 –BRASIL; 2 – Itália; 3 – Alemanha; 4 – Uruguai; 5 – União Soviética; 6 – México; 7 – Peru; 8 – Inglaterra; 9 – Suécia; 10 – Romênia; 11 – Bélgica; 12 – Israel; 13 – Bulgária; 14 – Marrocos; 15 – Tcheco-Eslováquia e 16 – El Salvador.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O ROMANCE (DO BRASIL) DA COPA DO MUNDO- 11

             Seleção Brasileria espremida pela "Laranja", em 1974
 Com o Brasil dono, em definitivo, da Taça Jules Rimet, a Copa do Mundo de 1974 colocou em jogo a Taça FIFA, de ouro maciço – 18 quilates – , com 37 centímetros de altura e pesando cinco quilos. Produzida pelo escultor italiano Silvio Gazzaniga, que venceu outros 52 projetos, o troféu foi fabricado em Milão, pela Casa Bertoni, e passou a ser de posse transitória. Cada vencedor passaria a ter o seu nome gravado na base e o repassaria, quatro anos depois, a um outro campeão – caso isso ocorresse – e ficaria com uma réplica.
A Copa-94 começou com um problema político. Porque a FIFA aceitara a inscrição da Coréia do Norte, fora do prazo, alguns países, em protesto, boicotaram a promoção, que passava a garantir vagas a todos os continentes, exceto à Oceania, obrigada a duelar – e vencer – a Coréia do Sul. Noventa seleções foram para as Eliminatórias, que preservaram o Brasil, campeão do último Mundial, e a Alemanha, a nova promotora. Ao final dessa fase, as novidades eram a Austrália, o Haiti e o Zaire, sem nenhuma tradição no futebol. Inglaterra e Espanha, desclassificadas, respectivamente, por Polônia e a então Iugoslávia, era as ausências reclamadas.
 O Mundial da Alemanha teve, ainda, nova forma de disputa. Desprezou-se a eliminação nas quartas-de-final e nas semifinais, para a formação de dois grupos, totalizando oito equipes, as duas melhores dos quatro chaves da fase inicial. No duelo em duas novas divisões de quatro times, os dois primeiros de cada uma iria para a final, enquanto os segundos colocados disputariam o terceiro lugar da Copa.
BRASIL SEM REI – Pelé já havia abandonado a Seleção Brasileira. Fazendo marketing para uma empresa multinacional norte-americana, ele limitou-se a participar das solenidades de abertura. Enquanto isso, o time do técnico Mário Jorge Lobo Zagallo mantinha Wilson Piazza, Jairzinho, Rivellino e Paulo César “Caju” do grupo titular que jogara durante a campanha do tri. Dos que estavam no grupo de 1970, mas não haviam jogado, o goleiro Leão e o lateral-direito Zé Maria eram os novos donos de suas posições.

Até chegar a 13 de junho de 1974, quando estreou, empatando, 0 x 0, com a então Iugoslávia (foto), o time canarinho havia feito 12 amistosos, naquele ano, com oito vitórias e quatro empates. Este retrospecto não animava, pois as igualdades no placar haviam sido com equipes fracas – México, Grécia, Áustria e até um time francês chamado Racing Pierrot –, além do que o time não se definia. Na abertura da Copa, no Waldstadion, em Frankfurt, 59 mil testemunhas viram os iugoslavos merecendo muito mais a vitória, pois colocaram até bola na trave. Pelo lado brasileiro, apenas os dois Marinhos, o Perez e o Chagas, estiveram bem.
O Brasil jogou com: Leão: Nelinho, Luís Pereira, Marinhoi Perez e Marinho Chagas; Piazza, Rivellino e Paulo César; Jairzinho, Mirandinha e Leivinha (Paulo César Carpeggiani). Iugoslávia, treinada por Miljan Miljanic, alinhou: Maric; Buljan, Katalinski, Bogicevic e Hadziabdic; Muzinic, Oblak e Acimovic; Ilija Petkovic, Surjak e Dzahuc. O suíço Rudolf Scheurer apitou a partida.
No jogo seguinte, em 18 de junho, no mesmo estádio, a Seleção Brasileira repetiu o indesejável 0 x 0 da partida anterior – terceira abertura consecutiva da Copa com aquele placar –, se enganchando nos escoceses. Na verdade, repetiu tudo: escalação inicial, substituição e incapacidade de vencer, decepcionando 62 mil assistentes. Sem comentários! Brasil: Leão; Nelinho, Luís Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas; Piazza, Rivellino e Paulo César; Jairzinho, Mirandinha e Leivinha (Carpeggiani). Escócia, do técnico William Ormond, foi: Harvey; Jardini, McGrain, Holton e Buchan; Bremner, Hay e Dalglish; Morgan,Jordan e Lorimer. O holandês Arie Van Gemmert apitou.
VENCE OU VOLTA – Como a Iugoslávia havia feito 9 x 0 e a Escócia 2 x 0 sobre o Zaire, o Brasil teria que ganhar, por muitos gols, do time africano, para não depender de iugoslavos e escoceses – ficaram no 1 x 1. Conseguiu, com 3 x 0, que passaram por um frango do goleiro da equipe treinada pelo iugoslavo Blagoje Vidinic. A Seleção seguiu em frente, em 22 de junho, no Parkstadion, em Gelsenkirchen, com gols de Jairzinho, aos 13 minutos do primeiro tempo; de Rivellino, aos 22, e de Valdomiro, aos 34 do segundo. Nicolae Rainea, da Romênia, apitou o jogo, assistido por 35 mil presentes. O Brasil teve: Leão; Nelinho, Luís Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas; Piazza (Mirandinha), Rivelino e Paulo César; Jairzinho, Leivinha (Valdomiro) e Edu. O Zaire formou com: Kazadi; Mwepu, Mukombo, Buhanga e Lobilo; Kibonge, Tshinabu (Kembo) e Mana; Ntumba, Kidumu (Kilasu) e Myanga.
Classificado, no sufoco, o Brasil teve mais dificuldades pela frente. No dia 26, ganhou da Alemanha Oriental, 1 x 0, contando com a  malandragem. Aos 16 minutos do segundo tempo, falta contra a então República Democrática Alemã. Rivellino ajeita a bola e Jairzinho se introduz no meio da barreira. Riva bate em cima do Furacão, que se abaixa. É gol. A malandragem merece aplausos dos 58.463 presentes ao Niedersachenstadion, em Hannover. No mais, o Brasil não brilhou. Aceitou o jogo do adversário, que era não deixá-lo jogar. Por isso, não se incomodou com a sua retranca. Um golzinho estava bom demais.
A Seleção do dia foi: Leão; Zé Maria, Luís Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas; Carpeggiani, Rivellino e Paulo César “Caju”; Valdomiro, Jairzinho e Dirceu. O técnico George Buschner escalou a DDR assim: Croy; Kisch, Waetzlich, Lauck (Löwe) e Bransche; Weise, Streich e Hamman; Sparwasser, Kurbjuweit e Hoffman. O árbitro foi Clive Tlhomas, do País de Gales.
Quatro dias depois, no mesmo estádio, vieram os argentinos. E o Brasil seguiu vencendo: 2 x 1. Rivellino, aos 32 minutos do primeiro tempo, e Jairzinho, aos 3 do segundo, marcaram os nossos gols. Brindisi, aos34, da etapa inicial, fez o deles. O time foi o mesmo da partida passada, enquanto Vladislao Cap escalou “los hermanos” com: Carnevali; Glaria, Heredia, Bargas e Sá (Carrascosa); Brindisi, Squeo e Babington; Balbuena, Ayala e Kempes (Houseman). O belga Vital Loraux apitou o jogo, que teve 38 mil assistentes.
SUCO DE LARANJA – O futebol canarinho estava infinitamente distante do jogado, há quatro anos, no México. Mesmo assim, o Brasil ia chegando perto da final. Em 3 de julho, no entanto, o sonho do tetra esbarrou na seleção holandesa, a “Laranja Mecânica”. Era o time sensação da Copa, treinado por Rinus Mitchel, que armara um esquema tático repleto de variantes, executadas por jogadores polivalentes. O mundo passava a conhecer o “Carrossel Holandês”, pilotado por Cruyff.
Até chegar ao confronto com o Brasil (foto), a Holanda só empacara na Suécia, 0 x 0, em seu segundo jogo. No mais: 2 x 0 Uruguai; 4 x 1 Bulgária; 4 x 0 Argentina e 2 x 0 Alemanha Oriental. A turma de Cruyff, Neeskens, Rep, Resenbrink, Van Hanegen estava demais. Se bem que andou dando uns vacilos e deixando Jairzinho e Paulo César em boas condições para marcar, no primeiro tempo do jogo contra o Brasil. No segundo tempo, porém, aos 5 minutos, Neskens abriu o placar. Aos 20, Cruyff fez o segundo, com os brasileiros reclamando impedimento. Aos 40, Luís Pereira foi expulso de campo.
O Brasil jogou com: Leão; Zé Maria, Luís Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas; Carpeggiani, Rivellino e Paulo César (Mirandinha); Valdomiro, Jairzinho e Dirceu. Holanda: Jonglbloed; Suurbier, Krol, Hann e Rijsbergen; Neeskens (Israel), Van Habnegen e Jansen; Rep, Cruyff e Resenbrinck (De Jong). A assistência foi de 52.500 pagantes e o apito do alemão oriental Kurt Tschencher.
Restava ao Brasil, disputar o terceiro lugar, com a Polônia. Aconteceu em 6 de julho, no Estádio Olímpico de Munique, sob as vistas de 74.100 pagantes. O jogo marcou a despedida da Seleção de Ademir da Guia, um dos maiores nomes do futebol brasileiro e que só fizera aquela partida em Copas do Mundo.
Os poloneses, também, vinham sendo sensação naquele Mundial. Seus resultados: 3 x 2 Argentina; 7 x 0 Haiti; 2 x 1 Itália; 1 x 0 Suécia; 2 x 1 Iugoslávia e 0 x 1 Alemanha Ocidental. Foi a sua melhor seleção em Copas do Mundo com destaques para o goleiro Tomaszewski, o apoiador Deyna e os ponteiros Lato e Godocha. Por sinal, foi Lato o autor do gol da vitória, por 1 x 0, sobre o Brasil, aos 30 minutos do segundo tempo, percorrendo 50 metros com bola dominada, aproveitando-se de uma avenida deixada aberta por Marinho Chagas.
O Brasil formou com: Leão; Zé Maria, Alfredo Mostarda, Marinho Perez e Marinho Chagas; Carpeggiani, Ademir da Guia (foto) (Mirandinha) e Rivellino; Valdomiro, Jairzinho e Dirceu. Os poloneses, treinados por Kazimiersz Gorski, foram: Tomaszewski; Szymanowski, Zmuda, Gorgon e Musial; Kasperczak (Cmikiewcz), Kazimiersz Deyna e Maszcyk; Grzegorz Lato, Szamach (Kapka) e Robert Godocha.
A FINAL - Em 7 de julho, no Estádio Olímpico de Munique, os donos da festa conquistaram o seu segundo título mundial – o primeiro havia sido na Copa de 1954, na Suiça –, vencendo a favorita Holanda, por 2 x 1. Na vez passada, o adversário, a Hungria, também era o favorito.
Com um minuto de jogo, sem que os alemães tivessem tocado na bola, a Holanda já abriu o placar, com Neeskens cobrando um pênalti, sofrido por Cruyff. Mas o encantador futebol da “Laranja” não se encorpou depois do tento. O time de Rinus Mitchel deixou o concorrente chegar nele e empatar, aos 26, com Breitner, também, cobrando pênalti. No segundo tempo, aos 44 minutos, Gerd Müller fez o tento da vitória alemã: 2 x 1.
Não fora por acaso que o capitão Franz Beckenbauer, eleito o craque da Copa, levantara a primeira Taça FIFA em jogo. Basta conferir os placares alemães: 1 x 0 Chile; 3 x 0 Austrália; 0 x 1 Alemanha Oriental; 2 x 0 Iugoslávia; 4x 2 Suécia e 1 x 0 Polônia, antes da final. Especulou-se muito que a derrota para a vizinhos orientais foi proposital, para fugir de uma tabela que não interessava, em caso de vitória.
A Alemanha do jogo final foi: Maier; Vogts, Schwarzenbeck, Hoeness e Breitner; Beckenbauer, Bonhof e Overath; Grabowski, Muller e Holzenbein. O técnico era Helmuth Schoen. A Holanda teve: Jongbloed; Suurbier, Rudi Krol, Hann e Willem Rijsbergen (De Jong); Neeskens, Van Hanegen e Jansen; Rep, Cruyff e Resenbrinck ( René Van der Kerkhof). O jogo teve 60 mil espectadores e apito do inglês John Taylor.
TODOS OS RESULTADOS – Alemanha Ocidental 1 x 0 Chile; Austrália 0 x 2 Alemanha Oriental; Alemanha Ocidental 3 x 0 Austrália; Austrália 0 x 0 Chile; Alemanha Oriental 1 x 0 Alemanha Ocidental; Brasil 0 x 0 Iugoslávia; Escócia 2 x 0 Zaire; Iugoslávia 9 x 0 Zaire; Escócia 0 x 0 Brasil; Brasil 3 x 0 Zaire; Iugoslávia 1 x 1 Escócia; Suécia 0 x 0 Bulgária; Holanda 2 x 0 Uruguai; Holanda 0 x 0 Suécia; Bulgária 1 x 1 Uruguai; Suécia 3 x 0 Uruguai; Holanda 4 x 1 Bulgária; Itália 3 x 1 Haiti; Polônia 3 x 2 Argentina: Polônia 7 x 0 Haiti; Argentina 1 x 1 Itália; Argentina 4 x 1 Haiti; Polônia 2 x 1 Itália; Holanda 4 x 0 Argentina; Polônia 1 x 0 Suécia; Polônia 2 x 1 Iugoslávia; Alemanha Ocidental 4 x 2 Suécia; Alemanha Ocidental 1 x 0 Polônia; Suécia 2 x 1 Iugoslávia; Polônia 1 x 0 Brasil e Alemanha Ocidental 2 x 1 Holanda.
CLASSIFICAÇÃO FINAL – 1- Alemanha Ocidental: 2 – Holanda: 3 – Polônia; 4 – BRASIL; 5 – Suécia; 6 – Alemanha Oriental; 7 – Iugoslávia; 8 - Argentina; 9 – Escócia; 10 – Itália; 11 – Chile; 12 – Bulgária; 13 – Uruguai; 14 – Austrália; 15 – Haiti e 15 – Zaire.